segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 12

Micael Narrando:

Acordei cedo no sábado e estava me sentindo ansioso. Queria muito acreditar que não era por conta da visita de uma amiga de infância da minha irmã que era milionária agora. Saí da minha casa e deixei o café pronto para quando minha irmã acordasse e Sophia chegasse. Caminhei até o estábulo e logo vi Zeus deitado e caminhei até meu cavalo.
- E aí garoto? - Perguntei e acariciei a cabeça dele. Zeus se levantou e relinchou pra mim e eu ri. - Tô feliz de te ver também. Você tá precisando de um banho, hein?! Vamos lá. - Falei e o levei para o lado de fora. Dei um bom banho nele e quando estava terminando ouvi o barulho de um carro estacionando atrás de mim. Virei-me e logo vi Sophia sair de lá, vindo em minha direção e tive que reconhecer que ela estava linda.
- Oi, Soph. - Eu falei e ela sorriu.
- Ei, Mika.
- Não vou te abraçar porque to meio sujo desse rapaz aqui. - Falei e acariciei o cavalo de leve. Sophia levou sua mão até Zeus, acariciando-o.
- É um cavalo muito bonito. É seu?
- É sim. Podemos cavalgar mais tarde, sei que você sabe.
- Podemos sim. Sinto saudades da época que eu morava aqui na fazenda.
- A gente não sentiu saudades não. - Ouvimos Mariana dizer e Sophia se virou, encontrando minha irmã com um sorriso gigante nos lábios. - Ei, branquela.
- Ei, Mari. - Elas se abraçaram e eu não pude deixar de perceber que o short de Sophia subiu um pouquinho, por ela ser mais baixa que Mariana e ter se esticado para abraçá-la. Mariana me olhou meio brava e eu abri um pequeno sorriso de canto pra ela. - Cadê seu bebê?
- Vai passar o fim de semana com o pai dele lá em casa. Vamos tomar café, vem. - Ela falou e Sophia a seguiu. Elas sairam e eu me virei para o meu cavalo novamente.
- É, rapaz, vai ser um longo fim de semana. - Falei e terminei de escovar Zeus. Coloquei-o no estábulo e fui caminhando até minha casa. Cheguei lá e ainda na porta ouvi a risada das duas mulheres que estavam ali.
- Vou te contar que aquele Eduardo era um saco. - Ouvi Sophia dizer e Mari gargalhou.
- Pelo menos ele ficou bonitinho. O Rian tá feio pra caramba hoje em dia.
- Mas na época você bem que gostava. - Sophia disse entre as risadas e eu entrei na cozinha, vendo as duas sentadas à mesa.
- Qual foi, Soph? Eu tinha 11 anos. - Ela respondeu e só então pareceu me ver. - Senta aqui com a gente, mano.
- Licença, meninas. - Pedi e me sentei - Falavam sobre o que?
- Primeiro beijo. Aliás, quando foi o seu, Mika? - Minha irmã perguntou.
- 13 anos com a Sheila, lembra dele? - Perguntei e elas negaram. - Aquela que era um ano na minha frente.
- Ah, lembrei. Nossa, nunca imaginaria que você já tinha ficado com ela quanto mais que tinha dado seu primeiro beijo com ela.
- Sabe como é né, Mari?! - Perguntei rindo e elas me acompanharam. - Agora é a vez de vocês.
- Tô com vergonha de falar isso pro Micael.
- Para com isso, Mariana. - Sophia disse e eu ri.
- Tá bom então. Foi com o Rian.
- O Rian? - Perguntei assustado e ela assentiu. - Ele era meu amigo e três anos mais velho que você. Que idade você tinha?
- 11. - Mariana respondeu e eu estava em choque. Meu amigo de 14 anos tinha tirado o BV da minha irmã de 11.
- Não tô acreditando, Mariana.
- Deixa a Sophia contar o dela.
- Foi com o Eduardo, que era da nossa sala no ensino médio. Eu tinha 15 e ele 16. - Ela falou brincando com seu garfo.
- Nossa, Soph. Com 15? - Perguntei.
- Digamos que a Sophia esperava o príncipe encantado. Como ele não chegou ela se contentou com o sapo mesmo.
- E quem era o príncipe? - Perguntei e Sophia ficou vermelha, abaixando seu olhar para as mãos.
- Melhor a gente mudar de assunto. A menina tá ficando constrangida.
- Tudo bem. Vamos falar sobre o almoço porque já são onze horas.
- Pode fazer, maninho.
- Claro que não. Eu quem fiz o café, o almoço é seu Mariana. E eu vou cavalgar com a Soph. Topa? - Perguntei e ela assentiu sorrindo.

domingo, 20 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 11

Sophia Narrando:

- Tô achando um pouco de loucura essa viagem. - Falei pra minha mãe enquanto dobrava minha última peça de roupa e gurdava na mochila.
- Loucura por que, filha?
- Não sei. To com um pressentimento aqui dentro de que algo vai acontecer.
- Eu hein?! Vira essa boca pra lá, menina. - Ela disse e eu ri.
- A senhora vai mesmo ficar bem nesse casarão?
- Vou sim. A Rute vai me fazer companhia.
- Tudo bem então. Vou tar um banho.
- Vai lá. - Ela falou e saiu do quarto. Entrei no banheiro, tomei um banho e quando estava secando meu cabelo meu telefone tocou. Peguei o celular e sorri ao ver o nome de Mariana na tela.
- Oi, Mari.
- Oi, Soph. Cadê você? Estamos te esperando pro café da manhã.
- Ih, Mari, acho que vocês podem ir tomando café. Ainda não saí de casa.
- Você é muito enrolada, cara. - Ela disse brava e eu ri.
- Enquanto eu to aqui conversando com você eu poderia muito bem estar me arrumando.
- Anda logo então. - Ela falou e desligou sem se despedir. Ri do jeitinho da minha amiga e continuei arrumando meu cabelo. Quando terminei vesti um short jeans, uma blusa de malha branca com algumas flores e calcei um par de all-star azul. Peguei minhas bolsas e desci as escadas, indo até minha mãe que conversava com Rute. Despedi-me delas, entrei em meu quarto e dirigi até a fazenda. Logo quando cheguei pude ver Micael cuidando de um cavalo negro. Parei o carro, o que chamou a atenção dele. Ele se virou e sorriu ao ver que era eu. Saí do carro e caminhei até ele.
- Oi, Soph. - Ele falou e eu sorri.
- Ei, Mika.
- Não vou te abraçar porque to meio sujo desse rapaz aqui. - Ele falou e acariciou o cavalo de leve. Levei minha mão até o animal, acariciando-o.
- É um cavalo muito bonito. É seu?
- É sim. Podemos cavalgar mais tarde, sei que você sabe.
- Podemos sim. Sinto saudades da época que eu morava aqui na fazenda.
- A gente não sentiu saudades não. - Ouvi Mariana dizer e me virei, encontrando minha amiga com um sorriso gigante nos lábios. - Ei, branquela.
- Ei, Mari. - A abracei e ela olhou o irmão meio brava e eu fiquei sem entender. - Cadê seu bebê?
- Vai passar o fim de semana com o pai dele lá em casa. Vamos tomar café, vem. - Ela falou e eu a segui. Olhei pra trás e vi que ele ainda estava com o cavalo e me voltei para minha amiga.
- Que cara feia foi aquela pro seu irmão?
- Cara feia? - Perguntei e eu revirei meus olhos.
- Sabe que eu odeio quando você se faz de sonsa.
- Ai, Sophia. - Ela reclamou falando arrastado e eu a encarei. - Tá, tá, eu falo. Digamos que meu irmão gostou do seu short. - Ela disse e o entendimento de que ele tava olhando minha bunda tomou conta de mim.
- Até parece, Mariana. Foi impressão sua.
- Sempre é impressão minha e eu sempre tô certa né?
- Chega desse assunto, ok?
- Ok então, dona Sophia. - Ela disse e nos sentamos para comer. Logo Micael se juntou a nós duas e começamos a rir das coisas de nossa infância. Por mais que em muitas histórias minhas ele fizesse parte como vilão eu adorava reviver aqueles momentos e saber que ele estava em todos eles.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 10

Sophia Narrando:

- Você se tornou uma mulher muito bonita, Soph.- Ele disse e acariciou minha mão de leve e eu sorri.
- Obrigada. Você também está muito bonito, sempre foi na verdade.
- Até parece, tive minha época de patinho feio. Tipo aos meus 12 anos, que meus dentes eram desproporcionais ao resto do meu rosto.
- Não me lembro dessa época.
- Mas é claro que não. Você era um bebê ainda.
- Eu tinha nove, ok, senhor idoso? - Perguntou e ele riu.
- Tudo bem. Por que você sumiu da fazenda?
- Não sei, nunca tive um motivo concreto. - "Mentira, tive sim e foi você, seu idiota.", pensei sem deixar escapar de meus lábios.
- Acho que nunca percebi isso, mas eu senti saudades de você. Nunca fomos próximos, mas você é parte da nossa família.
- E você nem sempre reconheceu isso. Por isso não éramos próximos.
- Eu disse sem ressentimentos, Soph.
- Não é ressentimento, é só verdade. Se você tivesse dado abertura eu teria me aproximado.
- Eu sinto muito por tudo, Sophia. Eu era um idiota.
- Era mesmo.
- Não sou mais.
- Sei disso. - Falei e ele sorriu.
- Gente, esse menino só sabe comer e dormir. - Ouvimos a voz de Mariana e eu puxei minha mão rápido. Na verdade, nem tinha percebido que ela havia ficado ali por tanto tempo. Mariana chegou perto de nós dois com seu filho sonolento no colo e sorrindo pra mim como se dissesse: "Eu vi vocês dois aí". Apenas ignorei seu olhar. - Me disseram um dia que isso acontecia apenas por ele ser um bebê, mas acho que esqueceram de contar pra ele que ele cresceu.
- Ele ainda tem 1 ano.
- A Valentina já corria e conversava com essa idade, Micael.
- Valentina é diferente. - Ele disse e sorriu para a menina que corria de um lado para o outro.
- Puxou a tia na inteligência.
- Que tia? - Micael perguntou. - A Marjorie?
- Não ouse me comparar a ela, por favor. - Falei e os irmãos a minha frente arregalaram um pouco os olhos. - Digamos que ela não é muito simpática comigo.
- Ela não é simpática com ninguém. - Mariana disse e eu sorri.
- Comigo ela é. - Foi a vez de Micael falar.
- É porque ela te acha um gato.
- Que bonitinho o gatinho da irmã.
- Vai te catar, Mariana. - Ele falou bravo e nós duas rimos.
- Eu tava pensando aqui que a Soph bem que podia ir passar um fim de semana na fazenda né? - Mariana disse e eu a olhei assustada no mesmo passo que Micael abriu um grande sorriso.
- Acho uma ótima ideia. Papai e mamãe vão viajar esse fim de semana e a vovó vai pra casa da tia Lu. Aquela fazenda vai ficar meio solitária. - Ele disse e Mariana sorriu.
- Não sei não, gente. Eu tenho muita coisa na empresa e... - Estava falando quando fui interrompida por um olhar mortífero da mimha amiga.
- Larga de ser chata e deixa esse emprego de lado por um fim de semana. Não é possível que esse seu cargo seja tão importante assim pra não te deixar viajar um pouquinho.
- É meio importante sim.
- Você faz o que na contrutora? - Micael disse.
- Sou a presidente. - Falei baixinho e o queixo da minha amiga caiu.
- Tá, seu emprego é importante pra cacete, mas nós somos amigas e você vai passar o fim de semana na fazenda.
- Ok, ok. Satisfeita?
- Satisfeitíssima. - Mariana respondeu e eu ri. Virei-me rápido a tempo de pegar Micael me encarando de forma estranha.
- Vou dar uma volta, depois a gente se fala e conversa melhor sobre esse fim de semana. - Falei e me levantei, deixando os dois ali. Eu estava completamente perdida.

domingo, 13 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 9

Sophia Narrando:

- Tem certeza que não quer ir, mãe? - Perguntei a ela, que estava sentada em sua cama mexendo em algumas caixas.
- Tenho sim, filha. Eu vou terminar de organizar algumas caixas aqui. Manda um beijo pra Valentina. - Pediu e eu sorri.
- Tá bom. Qualquer coisa me liga.
- Pode deixar. Ah, e a propósito, você está linda. - Elogiou e mandei um beijo pra ela, sorrindo. Olhei meu vestido branco e meus sapatos nude e gostei daquilo. Saí de casa e realmente minha nova casa era perto da de Arthur, tanto que nem precisei tirar meu carro da garagem, fui a pé mesmo. A casa estava aberta e a festa era no quintal. A decoração era toda do filme valente e não podia ser diferente já que minha sobrinha tinha os cabelos tão ruivos e cacheados quanto os da Merida. Assim que cheguei na festa Valentina veio correndo em minha direção e eu sorri.
- Ei, minha princesa, parabéns! - Falei sorrindo e a abracei.
- Obrigada, titia!
- Olha o que a tia trouxe. - Entreguei o presente e ela sorriu, rasgando a embalagem. Quando viu a boneca que eu havia comprado pra ela, ela sorriu e me abraçou de novo.
- Que linda! - Ela falou e eu ri.
- Vamos guardar ela e depois você brinca pode ser?
- Pode. - Coloquei a embalagem na caixa de presentes e caminhei até Arthur que conversava com um homem moreno, que estava de costas pra mim.
- Sophia! - Ele disse assim que eu me aproximei e o homem se virou. Micael deu um pequeno sorriso quando me viu e eu sorri de volta.
- Oi, Arthur. - Respondi e ele me abraçou. - Oi, Micael.
- Ei Soph! Como vai?
- Bem e você?
- Bem.
- Não queria atrapalhar a conversa de vocês. Vou me sentar, depois conversamos. Licença. - Falei e saí, caminhando em direção a uma mesa vazia. Quando estava próxima a mesa, Marjorie se sentou e me encarou de cara feia. Sorri pra ela, não me deixando intimidar e me sentei junto a ela. Ela fez cara feia e logo três meninas se sentaram junto a ela. Elas começaram a conversar e eu comecei a prestar atenção no meu celular. A voz e a risada delas eram tão irritante que eu tinha vontade de matá-las. Depois de um tempo eu bloqueei a tela do telefone e o coloquei em cima da mesa, cogitando a hipótese de me levantar e trocar de mesa, mas o assunto delas me chamou atenção.
- Ele é um gato mesmo. - Marjorie disse.
- E tá solteiro desde que a mulher dele morreu. - A loira siliconada respondeu e eu virei um pouco a cabeça pra ver quem era. Surpreendi-me ao ver que era de Micael que elas falavam. Ri baixinho e me preparei para me levantar, mas Mariana chegou antes e se sentou comigo.
- To adorando você e meu irmão de conversinha.
-  Que conversinha o que, Mariana. Você sabe o quanto seu irmão já me fez sofrer.
- Sei que isso é difícil de acreditar, mas algumas coisas aconteceram na vida dele nos últimos anos e Micael mudou muito.
- Mudou como? - Perguntei e ela sorriu, olhando pra um ponto atrás de mim. Virei a cabeça e olhei Micael rindo com seu sobrinho nos braços.
- Ele ficou muito mais humano, aprendeu a ver a vida com outros olhos.
- O que aconteceu com ele?
- A esposa dele morreu um tempinho depois do casamento. Ele sofreu muito.
- Imagino. - Respondi e ela sorriu.
- Mari, o Heitor tá chorando. - Ele disse se aproximando da gente com o menino no colo. Mariana pegou o bebê e olhou sua fralda.
- A mamãe aqui vai trocar a fralda do porcalhão porque o tio não serve pra nada. - Ela falou e se levantou. - Faz companhia pra Soph aí.
Observamos Mariana sair, entrando na casa de Lua e Arthur. Micael se sentou ao meu lado e eu tinha certeza de que Marjorie estava nos olhando. Um silêncio constrangedor se alojou entre nós e eu deixei que meus olhos viajassem até sua aliança.
- Sinto muito. - Falei e ele me olhou confuso. Quando viu que eu estava olhando para sua aliança ele entendeu o que eu tinha dito e suspirou, abrindo um pequeno sorriso. Ficamos em silêncio novamente e ele começou a brincar com a aliança dourada.
- Lúpus. - Ele disse e foi a minha vez de ficar confusa. - Ela teve lúpus e acabou falecendo. Tem três anos.
- Deve ter sido barra pra você. - Respondi e ele assentiu.
- Por que ficou longe tanto tempo?
- Micael, não precisa fingir que se importa. Você nunca ligou pra filha da empregada.
- Para com isso, Sophia. Reconheço que eu era um babaca, mas eu não sou mais assim e até sinto vergonha de tudo o que te fiz. Mas eu quero me redimir. Vamos conversar numa boa, pode ser? Sem ressentimentos. - Ele disse e colocou sua mão em cima da minha, sobre a mesa.
- Sem ressentimentos. - Respondi e ele apertou minha mão de leve, me arrancando um sorriso e fazendo com que Marjorie se levantasse com suas amigas e saisse bufando dali.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 8

A conversa depois daquilo fluiu e logo fomos jantar. A mesa estava farta e eu me sentei ao lado de Danielle. Levantei um pouco os olhos e encontrei Marjorie me encarando.
- Não liga pra Marjorie não. Eu te falei que ela é difícil. - Danielle disse baixinho apenas para que eu escutasse.
- Não tô entendendo 
- Eu sei que tá, Sophia, eu sei que você ouviu a conversa. Ela é só uma garota mimada de 20 anos que ainda não aceitou que perdeu o trono de única princesinha. É só você não se importar. Eu e Vicente estamos aqui pra ser sua família e te garanto que Arthur, Maurício, Lorena e Lua também. - Ela falou e eu dei um sorriso amarelo. 
- Eu não quero causar problemas na família de vocês. Na verdade, eu tava muito bem sem essa herança. Eu não preciso ser motivo de briga. 
- E você não ta sendo. A gente ficou muito feliz de saber que você era irmã dos meninos. Não precisa ficar chateada, você já é parte da família e você vai perceber ue todo mundo já aprendeu a ignorar a Marjorie. Agora come e fica tranquila. - Ela disse e eu assenti. O jantar estava maravilhoso e logo eu estava indo embora. Saímos da casa de Maurício e Arthur foi colocar Valentina no carro já que ela estava adormecida. Quando ele voltou, passou o braço pela cintura da esposa e sorriu. 
- Espero que tenha gostado do jantar, Soph. 
- Foi muito bom, Arthur. Muito obrigada. 
- Pensou sobre a casa? 
- Deixa ela, amor. 
- Eu tô falando sério. Deixa eu te levar lá pra ver a casa e conhecer as pessoas pelo menos. 
- Tá bom então. Vamos amanhã. Pode ser? 
- Pode. Leva sua mãe. - Ele disse e eu assenti. Despedi-me do casal e entrei em meu carro, dirigindo de volta ao meu apartamento. No dia seguinte saímos de casa pela manhã e encontramos Arthur no endereço que ele tinha me dado, apesar de minha mãe saber chegar lá. A casa era tão grande que me assustou. Ela era pintada em um tom areia e tinha um pequeno jardim na entrada. Assim que estacionei o carro, Arthur saiu do sei, que há estava estacionado ali. 
- Cadê minha pequena? - Perguntei assim que Lua saiu e ele trancou o carro, o que fez com que Lua risse. 
- Tá na casa da minha mãe. 
- Garanto que ela ia ficar feliz de vir ver a tia preferida dela. - Falei e eles riram. 
- Vamos lá? 
Caminhamos até a porta e ele tocou a campainha. Não demorou muito para a porta ser aberta por uma senhora baixinha, de cabelos grisalhos presos em um coque. Ela sorriu e seus olhos quase se fecharam por baixo do óculos que ela usava. 
- Não acredito. Olha quem tá aqui. - Ela falou e abraçou minha mãe. Abraçou Lua e Arthur e depois me olhou.
- Essa é a Sophia, Rute. Sophia essa é a Rute, é ela que manda nessa casa aqui. - Arthur falou e eu ri.
- Eu conheço ela, Arthur, só que da última vez que eu a vi ela tinha 4 aninhos só. & Eu sorri e a abracei. Passei pela porta e estava em um pequeno hall que me levaria a uma sala de estar a esquerda e uma sala de jantar a direita. Rute foi nos conduzindo pela casa e eu me assustava a cada novo cômodo. Ainda no primeiro andar a casa tinha uma cozinha, um banheiro, um escritório e uma sala de televisão. Na sala de estar tinha uma escada que me levou ao segundo andar. A escada dava em mais uma sala de este, porém essa era menor. Andamos por um corredor e eu me surpreendi ao descobrir que a casa tinha 4 quartos e que cada um deles era do tamanho do meu apartamento. Ali em cima também tinha uma pequena sala de música e eu sorri com aquele cômodo. A surpresa aumentou quando, no fim do corredor, encontrei outra escada.
- Meu Deus, essa casa é gigante. São 3 andares? - Perguntei e Arthur sorriu.
- Sim. Aqui no andar de cima tem o quarto principal e o que seria seu quarto se você quisesse morar aqui.
Subi as escadas e abri a porta, deixando meu queixo cair ao ver aquele cômodo. O quarto era espaçoso e tinha uma grande cama de casal no centro. Uma televisão ficava de frente para a cama e uma escrivaninha estava em um canto. O quarto ainda tinha uma poltrona e duas portas. Caminhei até a primeira e abri, desvendando um banheiro. A outra era a do closet e eu ainda não conseguia acreditar que aquela casa era minha. Mas o que me chamou atenção no quarto foi uma cortina, que cobria uma parede inteira. Caminhei até lá e abri a cortina, deixando aparecer um grande par de portas de vidro. Abri as portas e passei para a varanda que tinha ali. A varanda não era muito grande, mas era suficiente e tinha uma pequena mesa e algumas cadeiras. A vista era linda, dava pra ver boa parte da cidade. Aproximei-me do parapeito e meus olhos se arregalaram ao enxergar a piscina que havia nos fundos da casa. Voltei para o quarto e procurei por Arthur, que me levou até a piscina.
- E aí, maninha? Vai mudar ou não?
- Ainda acho essa casa muito grande.
- A beleza da casa não te convenceu?
- Já te falei que eu não sou comprada por dinheiro.
- Eu sei que não. Vem morar aqui. É perto de mim, perto da F&T e ainda é super confortável aqui.
- Tudo bem então, seu chato.
- Aproveitando o momento, semana que vem vamos fazer uma festinha de aniversário pra Valentina e você tá super convidada. - Lua disse se aproximando e eu sorri.
- É claro que eu vou.

Micael Narrando:

- Não conseguimos melhorar me nada a situação da empresa. - Meu pai falou e eu suspirei, encarando os papéis a minha frente.
- Não sei mais o que fazer, pai.
- Vender a empresa, Micael.
- Claro que não, pai. Isso aqui é tudo que temos.
- Nós vamos vender apenas a empresa, não a fazenda.
- Vamos achar outra saída, mas vender a Borges não.
- Espero que sim, Micael. - Meu pai disse e se levantou, saindo da sala. Tentei pensar em algo, mas não consegui. Era dificil pensar em perder tudo aquilo que meu avô tinha passado anos construindo. Ouvi a porta se abrir e minha mãe entrou sorrindo.
- Ei, filho. Vim te chamar pra almoçar.
- Ai, mãe, minha cabeça tá cheia de coisa.
- Esquece essa empresa um pouquinho. A gente almoça e vai lá na rua comprar o presente de aniversário da Valentina. Pode ser?
- Já tinha até esquecido do aniversário dela.
- Você vai né?
- Claro que sim, mãe.  

domingo, 6 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 7

Sophia Narrando:

Minha mãe fez questão de ficar até o momento do enterro. A despedida era difícil e dolorosa, mas os Borges estavam conformados, apesar de todo choro e toda dor. Já estávamos indo embora e eu e minha mãe fomos nós despedir.
- Estamos indo. - Ela disse e toda a familia nos encarou.
- Tá cedo ainda, meninas. - Tia Antônia falou. - Fiquem aí até amanhã.
- Eu trabalho amanhã cedo, tia. Precisamos mesmo ir. - Falei e ela sorriu.
- Muito obrigada por terem vindo. - Vó Margarida disse. - Vocês são muito importantes pra nossa família, inclusive você Sophia, não some não.
- Pode deixar que eu vou voltar. - Respondi e a abracei. Despedi-me de tia Antônia e tio Jorge e depois abracei Mari.
- A gente vai marcar de se encontrar pra conversar.
- Vamos sim, Mari. Temos muito o que conversar.
- A começar pelo fato de que você faltou meu casamento.
- Desculpa, amiga. - Falei e ela riu.
- Relaxa, bobinha. - Ela falou e beijou minha bochecha. - Agora se eu fosse você eu virava e me despedia do Mika, porque ele tá paradinho ali, te olhando e quase te comendo com os olhos. - Ela disse no meu ouvido.
- Outro tópico que precisamos discutir. Não mudei minha opinião sobre seu irmão desde que tínhamos 15 anos e ele apareceu com aquela namoradinha dele esfregando na minha cara.
- Mas acho que ele mudou de opinião sobre você.
- Ai, Mariana, tchau tá? - Falei e beijei sua bochecha. Ela tinha um astral tão lindo e contagiante que mesmo com toda essa tristeza da perda de seu avô ainda tinha capacidade de me fazer rir e me sentir bem. Virei-me meio receosa por saber que encontraria Micael ali. De fato ele estava atrás de mim, um pouco distante e quando eu me virei ele virou o rosto, desviando o olhar. Aproximei-me um pouco e ele me olhou. - Tchau, Mika!
Esperei uma resposta dele, mas ele não deu então eu simplesmente me virei pra sair, mas senti a mão dele segurar meu pulso. Virei-me novamente e encontrei seu rosto ainda sem expressão nenhuma dele.
- Obrigado pelo apoio, Sophia.
- Não precisa agradecer. - Respondi e me surpreendi quando ele me abraçou. O abraço não durou muito e quando ele me soltou simplesmente se virou e saiu andando. Olhei Mariana e ela sorriu pra mim. Mandei língua pra ela e entrei no carro, esperando minha mãe. A semana que se seguiu foi cheia de coisas pra min na contrutora, o que não deu margem para que minha cabeça criasse mil hipóteses com relação ao Micael. Era sábado e eu encontraria Arthur para um jantar com meus irmãos na casa do mais velho: Maurício. Já tinha um mês que eu tinha descoberto sobre meu pai, meus irmãos e minha fortuna, mas o dia a dia da F&T não tinha me deixado conhecer meus irmãos. Eu estava receosa porque Lua já tinha me falado que meus irmãos eram meio imprevisíveis, principalmente a mais nova Marjorie. Terminei de ajeitar meu cabelo e me olhei no espelho, sorrindo com a minha imagem. Eu estava com uma saia godê azul bebê e uma camisa preta que combinava com meu par de scarpin preto. Os cabelos estavam soltos e levemente ondulados. e minha maquiagem era clara. Saí de casa e dirigi até casa de Arthur. Ele já estava dentro do carro dele e quando me viu apenas saiu dirigindo. Quando ele estacionou o carro, alguns minutos depois, eu estacionei o meu atrás e mal sai do carro e vi minha sobrinha correr em minha direção.
- Ei, tia!
- Ei, meu amor. - Peguei-a em meus braços e a abracei. - Tudo bem?
- Você tem que ir na minha casa conhecer a Lily.
- E quem é Lily?
- Meu cachorrinho novo.
- Ah, e você convenceu seu pai de te dar um cachorrinho?
- E quem é que a dona Valentina não convence? - Ele perguntou e eu ri. Coloquei ela no chão e abracei meu irmão e depois minha cunhada.
- Se acalma, Soph e não liga muito pro que a Marjorie falar Ok?
- Ok, Lua. - Respondi rindo. Caminhamos até uma casa grande que tinha do outro lado da rua. Arthur tocou a campainha e uma senhora abriu a porta. Entramos na grande casa e Lua me levou até a sala. Lá, encontramos duas mulheres conversando animadamente e uma outra em seu celular. As duas primeiras eram loiras e a última tinha os cabelos castanhos claro e eu fiquei pensando qual delas seria a tal Marjorie.
- Oi, meninas. - Arthur as comprimentou e elas nos olharam. As loiras sorriram e a a outra me encarou de cara feia. Eu podia jurar que a morena era a minha irmã e que eu não era muito querida ali. - Onde estão os rapazes?
- Bem aqui. - Um cara mais alto e de cabelos castanhos pela porta sendo seguido por outro pouco mais baixo, musculoso e de olhos azuis.
- Vou cumprimentar todo mundo direitinho, mas quero que primeiro conheçam a Soph. Vem cá. - Ele falou e me estendeu a mão. Eu me aproximei de Arthur e ele sorriu. - Soph, aqueles dois ali são Vicente e Maurício. - Ele falou apontando o de olhos claros e o mais alto respectivamente. - As duas ali são Danielle, esposa do Vicente, e Lorena, esposa do Maurício. E aquela ali no canto é a Marjorie. Família, essa é a Sophia, nossa irmã.
- É um prazer finalmente conhecê-los. - Falei. A primeira a me abraçar foi Danielle e eu gostei dela de cara, sendo seguida de Maurício, Vicente e Lorena. A única que não fez questão de se levantar foi Marjorie.
- Tia Lô, cadê o Pietro?
- Tá tomando banho, Valentina. Daqui a pouco ta ai.
- Pietro? - Perguntei baixinho a Lua.
- É o filho do Maurício e da Lorena.
- Ata.
- Sophia, como o mais velho, mais bonito e mais responsável aqui eu gostaria de te dar as boas vindas a família Lessa.
- Agradeço muito. - Respondi.
- Conta pra gente um pouco de você. - Danielle disse animada e eu sorri.
- Ah, eu tenho 26 anos, nasci aqui em São Paulo mas com 6 anos me mudei pra uma fazenda onde vivi até meus 17 anos. Voltei pra São Paulo pra estudar engenharia civil, estou formada a 4 anos e sou atualmente a presidente da F&T Contrutora. Moro com a minha mãe em um apartamento e é só isso.
- Você é solteira, Soph? - Lorena perguntou e eu assenti.
- Falando em apartamento por que é que você não mudou pra casa que o papai te deu? - Arthur perguntou. - Eu te falei que até mesmo os empregados te esperam lá.
- E eu já te falei que eu vivo muito bem com a mamãe no meu apartamento. É perto do trabalho dela também.
- É, só que aí a senhorita fica pagando aluguel lá e os empregados da casa. Sem contar que a casa do papai é mais perto da F&T que seu apartamento e lá sua mãe teria muita gente pra conversar e você não precisaria se preocupar.
- Eu tô bem no meu cantinho, Arthur.
- Vamos pelo menos lá ver a casa?
- Vamos, seu chato. - Respondi e ele riu. - Será que eu poderia ir ao banheiro?
- Claro que sim. - Lorena disse.
- Eu te mostro onde é, tia. - Valentina disse e eu sai com ela. Ela me levou até o banheiro e eu não demorei lá. Quando estava voltando ouvi a voz de Arthur e parei no corredor.
- Tenta ser simpática pelo menos, Marjorie.
- Não vou ser simpática com ela, Arthur. Eu já falei que não gosto dessa menina. - Ouvi a voz dela dizer.
- Você não precisa gostar. Só precisa usar a educação que o papai te deu. - Vicente respondeu.
- Foi um susto pra todos nós, mas você querendo ou não ela é nossa irmã. - Maurício disse.
- Eu não vou dar bola pra filha bastarda do meu pai.
- Bastarda por que, Marjorie? Porque ela não é pura? Não sei se você sabe, mas eu também não tenho a mesma mãe que você.
- Mas pelo menos tanto a minha mãe, quanto a de vocês três foram casadas legitimamente com o papai.
- E mesmo assim ele conseguiu ter hma filha tão diferente dele quanto você. Eu vejo muito do papai na Soph. - Arthur disse. - Mas a gente ainda vai conversar melhor sobre isso. - Ele disse e eu achei melhor aparecer na sala. Quando cheguei todo mundo me encarou meio receoso e eu apenas sorri. Apesar de incômoda por conta da situação eu não me rebaixaria sou nível dela.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 6

Micael Narrando:

Muitas pessoas já tinham ido até o velório do meu avô: amigos dos meus pais, amigos dos meus avós, amigos da Mari e amigos meus. Eu estava com meu cunhado quando meu amigo Arthur chegou. Ele estava com Lua e sua filha Valentina e eles vieram até mim.
- Arthur! - Eu disse e logo ele me abraçou.
- Meus sentimentos, cara. Entendo essa dor que você está sentindo. - Ele falou e eu sorri, lembrando-me que há um mês era eu no velório do pai dele.
- Obrigado. Ei, Lu!
- Ei, Mika.
- Ei, tio. - Valentina disse e eu a peguei em meus braços, abraçando-a.
- Ei, pequena. Você não cresce não? Vai ficar baixinha igual sua mãe.
- Mamãe não é baixinha. - Ela disse fazendo carinha de brava e eu ri. Com seus 3 aninhos minha afilhada já falava muito direitinho e eu era apaixonado nela.
- Olha a Soph ali. - Lua disse apontando Sophia que conversava com minha mãe.
- Vocês conhecem a Sophia?
- Sophia é minha irmã. Descobrimos isso quando abrimos o testamento do meu pai e ele tinha deixado parte da herança pra ela.
- Então quer dizer que a Sophia é rica agora?
- É sim. Não sabia que você conhecia ela. - Arthur disse. - Nunca vi ela, você nunca falou dela.
- Ah, ela cresceu aqui. Branca foi só empregada aqui de casa, mas tinha 9 anos que eu não via ela. - Falei e vi ela se aproximar da gente. Valentina se animou em meu colo e se jogou para a tia.
- Tia Soph! - Ela falou e eu ri. Sophia sorriu e pegou a menina do meu colo.
- E impressionante como em uma mês essa menina virou o grudinho da tia Soph. - Arthur disse e eu achei que o sorriso da mulher tinha aumentado ainda mais.
- A tia Soph é a tia mais legal que você tem né, Tina? - Perguntou e a menina assentiu, abraçando seu pescoço.
- Temos que remarcar nosso jantar.
- Temos mesmo. - Sophia concordou com Lua.
- Essa semana como tá no seu trabalho?
- Tá meio corrida minha semana, Arthur.
- Nossa, minha irmã é uma mulher muito ocupada mesmo.
- Larga de ser ridículo.
- Uai, to falando sério. - Ele disse e riu. - Vou falar com a Mari e com a tia Antônia. - Arthur falou e saiu com Lua, deixando Valentina, que ainda estava grudada na tia.
- Quer dizer que você é uma Lessa agora?
- Pelo menos no sangue sim, porque de nome eu sou apenas a Sophia Sampaio Abrahão e de caráter sou a mesma que sempre fui.
- Não é legal mesmo a gente deixar o dinheiro subir a cabeça.
- Pois é. Legal você falar disso, Mika, mas pode ter certeza de que eu nunca vou deixar a minha nova condição financeira falar mais alto que meu caráter e me tornar um ser que não se lembra o quanto já foi humilhada. - Ela disse e saiu me deixando de cara feia porque eu sabia que havia sido uma indireta pra mim.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 5

Micael Narrando:

A vida de toda a família parecia ter virado de cabeça pra baixo em um mês. Estávamos falidos, com a hipótese de termos que vender nossa fazenda e agora a notícia de que meu avô havia morrido. Eu estava em casa com meu sobrinho Heitor porque minha irmã tinha ido ao hospital levar algumas coisas para meu pai e minha mãe estava na rua com minha avó quando a notícia veio e eu não soube lidar muito bem. A vontade de chorar e ir lá ver se era verdade era gigante, mas me mantive firme porque sabia que meu sobrinho tinha ainda 1 ano e não entenderia nada. Fiz um almoço pra mim e pra ele, dei comida e logo ele estava dormindo. Peguei meu telefone e liguei para minha irmã, que logo me atendeu.
- Oi, Mika.
- Oi, Mari. Como estão as coisas aí?
- A gente tá chegando na fazenda já pra almoçar. - Ela disse com a voz embargada e eu quis chorar junto com ela. - O corpo chega as 14:00hs. E o Heitor?
- Tá dormindo. E a vovó?
- Tá bem, Mika. Ela tá controlada e parece que aceitou melhor que todos nós.
- No fundo ela já tava preparada né?
- Tava. - Ela falou e ficou quieta um pouco, respirando fundo. - Como vai ser daqui pra frente?
- Não sei, Mari, mas vai dar tudo certo.
- Eu espero. - Ela disse e logo nos despedimos. Quando eles chegaram em casa eu esperei meu sobrinho acordar para depois ir até a casa da minha mãe. Caminhei até a cozinha com Heitor em meus braços e me surpreendi ao encontrar mais duas pessoas na cozinha. A mais velha eu reconheci ser Branca, já que ela vinha direto aqui em casa. A segunda, me encarava com os olhos meios arregalados e eu me espantei ai constatar que era Sophia. Ela estava muito difere te do que era há 9 anos atrás. Seus cabelos mão eram longos mais, estavam cortados na altura de seus ombros, e seu corpo tinha ganhado muitas curvas que eu não me lembrava de existir ali. Ela estava linda e não era mais aquela menininha de 15 anos. Não estranhei a presença delas ali porque elas eram praticamente da família.
- Mamãe! - Heitor disse esticando seus pequenos braços para minha irmã e eu caminhei até ela, lhe entregando o menino. Sophia pareceu respirar fundo quando eu fiz isso e eu fiquei sem entender nada. Meus pais se levantaram e eu foram cumprimentar as duas e eu continuei parado, encarando a mulher a minha frente.
- É muito bom ter vocês aqui, mesmo que seja em um momento como esses. - Minha mãe falou. - E você está linda, Sophia.
- Obrigada, tia Antônia. Viemos assim que ficamos sabendo da notícia. Vocês são como família pra gente, não poderíamos deixar de vir. - Ela disse com uma voz tão doce que me deu vontade de sorrir.
- Sophia está certa. - Branca disse. - Estamos aqui pro que precisarem.
- Venham almoçar. - Meu pai comentou. - O corpo já deve este chegando.
- Almoçamos em casa, né Soph? Obrigada.
Vi minha irmã terminar de comer e ela se levantou. Heitor ficou no colo do pai e ela foi até a amiga, abraçando-a. Elas trocaram algumas palavras. Quando se separaram vi minha irmã com os olhos cheios de lágrimas e foi a minha vez de abraçar Mari. - Sei que não é a hora, mas eu tô vendo esses seus olhares pra Soph, tá?
- Que olhar o que, Mariana. - Falei e ela revirou os olhos. Uma música encheu o ambiente e Sophia pediu licença, saindo da cozinha. Ela voltou pouco depois com jma expressão meio preocupada e Branca a olhou.
- Desculpa, gente, era do trabalho.
- Você trabalha com o que, Soph?
- Eu sou engenheira civil, tio Jorge.
Logo o corpo chegou. O desejo de meu avô era de ser velado ali na fazenda que ele tinha construído e seu pedido foi atendido pela família. Seu velório aconteceria na sala da casa dele e fomos todos pra lá quando o corpo chegou. Meus pais estavam abraçados, assim como minha irmã e seu marido Guto. Branca estava ao lado de minha avó e eu me vi sozinho quando abriram o caixão e as lágrimas quiseram descer quando vi meu avô. Deixei que elas viessem e chorei como havia chorado apenas quando minha Ellen faleceu. Eu não havia aprendido a lidar com a perda das pessoas que eu amava ainda e achava que nunca aprenderia. Senti uma mão tocar meu ombro e me virei, encontrando Sophia ali. Ela tinha um pequeno sorriso nos lábios e seus braços me envolveram em um abraço. Aceitei o abraço, me aconehgando em seus braços e sentindo uma sensação maravilhosa de conforto.
- Vai ficar tudo bem, Mika.
Não consegui falar nada naquele momento, só me lembrava de como eu tinha tratado aquela garota mal durante toda a minha vida e de como ela estava sendo solidária comigo agora. Ela acariciou minhas costas e meus braços passaram por sua cintura de forma meio inconsciente. Sophia me trouxe uma paz que já há um tempo eu não sabia que existia.

domingo, 30 de julho de 2017

Ao seu lado - Capítulo 4

Sophia Narrando:

- Madrinha! - Minha afilhada disse ao entrar na cozinha da minha casa e eu sorri. Larguei o pano de prato sobre a mesa e a peguei no colo.
- Ei, meu amorzinho. Que saudades a dinha tava.
- Eu também tava, dinha. - Ela falou e eu a apertei em meus braços. Mel sempre foi uma garota livre, como ela dizia. Ia pra festas, bebia até ficar bêbada e sempre terminava a noite pendurada no meu pescoço ou dormindo na minha cama enquanto eu tinha que dormir no sofá porque ela estava bêbada demais pra eu mandá-la pra casa. Sempre fui as mesmas festas que ela, porém nunca fui fã de ficar bêbada e na única festa que deixei Mel ir sozinha ela acabou engravidando de um cara que ela não fazia ideia de quem era. Mas por um lado tinha sido bom porque Celeste era um amor de criança e eu a amava demais.
- Já tá pendurada nessa tia sua?
- Ela ama a dinha, mamãe. - Respondi e Mel sorriu. Ela caminhou até mim e me abraçou, pegando sua menina logo depois.
- Como vai a minha presidente preferida?
- To bem, Melzinha e você?
- To bem também. Cadê sua mãe?
- Trabalhando. Essa semana tá lotado o restaurante e pediram pra ela ficar mais tempo.
- Entendi. Esse macarrão tá cheirando muito.
- Vamos comer. - Falei e ela assentiu. Nós sentamos na mesa e eu servi nossos pratos, coloquei vinho pra mim  e pra ela e um copo de suco de laranja pra Cel. - O que é que a senhorita tem pra me contar?
- To saindo com um cara.
- Me conta isso direito, Melanie.
- O nome dele é Chay. Conheci ele no aniversário de uma amiga e ele é muito gente boa, todo romântico comigo e carinhoso com a Celeste.
- Desde quando isso?
- Tem umas duas semanas que a gente tá se falando e saindo juntos.
- Que bom, Mel. Vocês duas precisam mesmo de uma pessoa.
- Você também precisa.
- Eu preciso é focar na construtora agora.
- Ih, já vi que vai ser uma chefe chata.
- Para, você me ama.
- Iludida. - Falou e a campainha da minha casa tocou.- Tá esperando mais alguém?
- Não. Vou atender.
- Tá. - Ela respondeu e eu me levantei. Caminhei até a porta e a abri. Um homem forte de cabelos pretos penteados em um topete estava parado em minha porta com um mulher de cabelos loiros e cacheados e uma menina com os cabelos tão cacheados como a da mulher, porém ruivos.
- Sophia Abrahão? - O homem perguntou.
- Sou eu.
- Arthur Aguiar Lessa. É um prazer. - Ele falou me estendendo a mão e eu peguei, apertando-a. - Podemos conversar?
- Claro. Entrem. - Falei e deixei eles entrarem dentro da minha casa. Levei-os até a sala e me sentei, indicando o sofá. Eles também sentaram-se e o rapaz me encarou.
- Sei que você não deve estar entendendo nada e vai ser ainda mais confuso depois do que eu te disser. Sophia, você acabou de receber uma herança milionária.
- Herança? Como assim?
- Eu sou filho de Renato Lessa, um grande empresário brasileiro que acumulou muitas riquezas desde que nasceu. Meu pai faleceu há duas semanas e o testamento dele foi aberto hoje mais cedo. Eu e meus irmãos ficamos surpresos quando vimos que meu pai tinha colocado mais uma menina no testamento. - Ele continuou e eu nao sabia onde ele ia chegar. - Ele deixou uma carta junto ao testamento explicando sobre um relacionamento que ele teve com uma antiga empregada lá de casa: a Branca e desse relacionamento nasceu você Sophia.
- Pera aí! Você ta me dizendo que meu pai era milionário?
- Isso mesmo. Sei que é difícil de acreditar quando alguém bate na sua porta assim. A propósito meu nome é Lua e eu sou esposa dele e essa pequena aqui é a Valentina, nossa filha. - Ela falou e eu sorri. Aquela menina me passava algo muito bom que eu não sabia quem era.
- É muito difícil de acreditar.
- Sabemos disso. Pra receber a herança vai ser preciso um exame de DNA. - Arthur falou.
- Por mim não tem problema nenhum. Mas eu quero que saiba que eu não me preocupo com isso. Eu tenho um emprego fixo, muito bom e que me rende um bom dinheiro. Eu tô bem desse jeito, não vou ficar correndo atrás da herança. Além de ser filha da empregada, eu nunca nem convivi com ele como você. Não acredito que eu tenha os mesmos direitos.
- Não fala isso, Sophia. Foi o último pedido do nosso pai que viessemos até você. Ele estava te procurando só não teve tempo de vir até aqui.
A partir dali tudo aconteceu rápido demais e eu não imaginaria nunca que minha vida podia mudar tanto em tão pouco tempo. Fiz o DNA, o resultado foi positivo e apesar de ser agora milionária eu continuava vivendo minha vida normalmente. Ainda não conhecia meus irmãos, apenas Arthur, mas sabia que tinha uma irmã e dois irmãos além dele. Quase um mês depois eu estava em casa em um domingo, terminando de ler uns relatórios da empresa quando minha mãe entrou no escritório meio assustada.
- Que cara é essa, mãe?
- Eu acabei de receber um telefonema da Antônia. O Joaquim faleceu.
- Sério, mãe?
- Sério.
- Quer ir lá no velório?
- Acho que devemos né?
- Sim, eu vou ligar pro Arthur pra falar que eu não vou poder ir no jantar que ele havia marcado hoje. Podemos sair depois do almoço se quiser.
- Tudo bem. Vou arrumar umas coisas ali.
- Tá bom.
Liguei pra Arthur que disse que também iria ao velório pois sua família era amiga dos Borges. Arrumei uma bolsa com uma muda de roupas e almocei com a minha mãe. Tomei um banho e vesti uma calça jeans e uma camisa, calçando uma sapatilha confortável. Logo estávamos viajando para a fazenda dos Borges que ficava apenas a quarenta minutos da cidade. A viagem não era longa e quando chegamos a fazenda, eu Estacionei meu carro e desci com a minha mãe. Muita coisa havia mudado desde que eu havia me mudado dali. Observei as duas casas que já haviam ali antes: uma da vó Margarida e do vô Joaquim e outra da tia Antônia e do tio Jorge. Vi também uma nova casa que eu não lembrava de estar ali há nove anos atrás. Darla, uma labradora que já devia estar no auge dos seus 14 anos, estava deitada na varanda da casa da tia Antônia e eu sorri. Se fosse há 9 anos atrás ela teria levantado e vindo correndo em minha direção. Eu e minha mãe fomos até lá e antes de entrar na casa eu acariciei a cabeça de Darla, que me deu uma pequena lambida. Entrei na casa e encontrei minha mãe abraçada a vó Margarida. Aproximei-me e ela deu um pequeno sorriso ao me ver.
- Sophia! - Ela disse e eu a abracei. - Você veio.
- Vim te dar um abraço, vó.
- Você tá linda.
- Obrigada.
- Tá todo mundo na cozinha. Vocês já almoçaram?
- Almoçamos sim.  - Minha mãe respondeu.
- Venham cá. - Ela disse novamente e nos levou até a cozinha. Encontrei com Mariana, Antônia, Jorge e um homem que eu não conhecia. Eles almoçavam em silêncio e Mari deu um pequeno sorriso ao me ver. Antes de cumprimenta-los ouvi passos fortes e firmes vindo em nossa direção. Foi quando ele entrou na cozinha com uma criança no colo e tudo que eu achei que tinha sumido quando fui embora voltou a pular em meu coração.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ao seu lado - Capítulo 3

Micael Narrando:

Era sexta-feira. Acordei cansado, como se tivesse acabado de dormir. E de fato tinha. As vezes pensava em ouvir minha mãe e ir procurar um médico, porque desde que tudo começou a acontecer dormir era tarefa difícil pra mim. Ter descoberto que minha esposa tinha uma doença que a levaria a morte fora muito difícil. Conviver com a ideia de que ela poderia viver um dia ou trinta anos também. Ainda me lembro do primeiro sintoma, que veio logo em nossa lua de mel: a famosa vermelhidão nas bochechas e no nariz, que os médicos chamavam de rash cutâneo e que piorava todas as vezes que ela ia para o sol. A princípio ela dizia que era apenas o fato de ser branca demais, mas aí outros sintomas começaram a aparecer: primeiro a fadiga, depois as dores nas articulações, febre, rigidez muscular, dor no peito, sensibilidade ao sol, dor de cabeça, queda de cabelo e diversos outros sintomas. Porém, a doença não é assim tão fácil de se distinguir porque os sintomas não são contínuos, apareciam em crises e se confundiam muito com outras doenças. O diagnóstico levou cerca de três meses e foi um baque quando o médico disse que minha esposa tinha lúpus. Tinha tratamento a base de medicamentos, descanso, proteção quanto ao sol, dieta e exercícios físicos. Porém o tratamento era apenas para diminuir os sintomas porque o lúpus é incurável. O diagnóstico foi tardio, o lúpus alastra pelo corpo e já havia atingido a pele, o coração e no trato digestivo de Ellen. Por conta do ataque ao trato digestivo ela começou a sentir náuseas, dor abdominal e vômitos, já o ataque ao coração lhe causou arritmia. Quando fizemos um ano de casamento ela estava internada por conta de uma infecção urinária causada pelo lúpus, que fora se alastrando por todo seu corpo e causando sua morte um dia depois do nosso aniversário. O que me confortava era saber que a morte diminui suas dores e que eu estive com ela a todo momento. Mas Ellen tinha se tornado tudo em minha vida. Estávamos juntos há cinco anos e eu já não fazia planos sem colocá-la em minha vida. Quando ela morreu, meu coração se partiu e por quase um ano eu não vivi, apenas existi, trancafiado em meu quarto ou em meu escritório na Borges Vinhos. Quando decidi voltar a viver normalmente, parte por vontade própria e parte por pressão da Mari, a dor se tornou suportável não por ter diminuido - já que acredito que isso nunca aconteceria - mas por eu me ocupar com outras coisas. Já fazia três anos desde que ela morrera e eu já conseguia frequentar festas, encontrar meus amigos e até sentar pra assistir televisão. Mas toda vez que eu me deitava pra dormir eu sentia falta dela e quando dormia sonhava com ela. E agora estava aqui, tomando um copo de café forte para tentar acordar e ir trabalhar.
- Bom dia, lindinho. - Ouvi a voz da minha irmã e me virei, encarando-a. Ela estava sorrindo com o pequeno Heitor ainda sonolento em seu ombro. Mariana havia se mudado da fazenda quando casara, mas toda vez que seu marido Guto viajava ela vinha ficar aqui na fazenda. Quando casei eu ganhei a minha casa dentro da fazenda e olhei com cara de interrogação pra minha irmã. - Acordei e não tinha comida em casa. Vim ficar comida sua. - Ela disse sorrindo e eu ri.
- Senta aí, esfomeada. E esse carinha aí? Tá dormindo ainda, Heitor? - Meu sobrinho levantou a cabeça e me olhou, voltando a se deitar. Mariana riu e se sentou na minha frente. Serviu uma xícara de café pra ela e me encarou.
- O clima tá meio pesado lá na casa. O papai tá de cara fechada e trancado no escritório desde as cinco e meia da manhã. A mamãe teve que levar o vô Joaquim pra consulta dele porque o papai não pôde e eles discutiram por isso é a vó Magá, como sempre, fica triste pelo papai dar mais importância pro trabalho do que pra ela e pro vó.
- São os negócios da família, Mari.
- Eu sei, Micael, mas às vezes o papai exagera também. E se eles chegam ba consulta e o médico diz que o vô tem que ficar internado? E se o vô morre? Ele vai ter perdido a última chance de cuidar do pai dele.
- Entendo isso, mas você tem que entender o lado dele também. Papai sabe que pro nosso vô construir isso aqui ele gastou sangue e suor e ele sempre quis preservar isso aqui, mas parece que as coisas não estão muito boas pra gente.
- Como assim?
- O papai teve uma reunião a portas fechadas com o contador e o advogado da Borges Vinhos. Eu escutei pouca coisa, mas parece que os negócios estão caindo.
- Você trabalha com isso e não sabe o que é?
- Não. Senhor Jorge pode muito bem esconder as coisas que ele não quer que os outros vejam.
- É verdade. - Ela disse e respirou fundo, pegando uma torrada e passando geleia. - Como você tá?
- To bem.
- De verdade?
- Sim.
- Desculpa falar isso, mas você não acha que deu a hora de você achar uma namorada?
- Sabe que eu não gosto de falar disso, Mari. Eu amo a Ellen ainda, não sinto que seja a hora de procurar outra pessoa.
- Você quem sabe.
- Vou trabalhar. Você tira a mesa pra mim?
- Tiro sim.
- Então tá. - Falei e beijei sua testa, saindo de casa em direção a vinícola logo em seguida. Cheguei na vinícola e fui direto para a sala do meu pai. Ele já estava lá então eu bati na porta e entrei em sua sala. Meu pai estava de cabeça baixa e quando levantou os olhos me assustei com as olheiras e o cansaço que transparecia em seu rosto.
- Bom dia, Micael.
- Bom dia, pai. Tudo bem?
- To levando.
- Mari me disse que cinco e meia o senhor já estava acordado. Fiquei preocupado.
- Senta aí. -Ele disse e eu obedeci, sentando-me a sua frente. - Estamos com problemas.
- O que aconteceu?
- A empresa está falida, Micael.

Narrador:

Pouco longe dali a campainha da casa do falecido Renato Lessa tocou e a empregada abriu a porta dando espaço para o advogado entrar e caminhar até a sala onde encontrou Lúcia, a segunda esposa do senhor e seus quatro filhos Arthur, Maurício, Vicente e Marjorie e as esposas dos três primeiros Lua, Lorena e Danielle respectivamente. Ele se sentou, abriu a maleta e tirou lá de dentro diversos papéis.
- Bom dia a todos vocês, agradeço a presença de vocês aqui para leitura do testamento de Renato Lessa. - Ele disse e voltou os olhos para o papel. - Para minha esposa Lúcia e minhas noras Lua, Lorena e Danielle deixo meus carros, cada um de acordo com a preferência de cada uma delas. Para meus netos Pietro e Valentina deixo dois apartamentos, um para cada, para aluguel no centro da cidade e peço que o dinheiro do aluguel seja guardado até que eles tenham a maioridade e possam decidir o que farão com ele. O restante divido pelos meus filhos. A casa do campo deixo para Maurício, a casa de praia deixo para Vicente, o apartamento de Madri deixo para Marjorie, a casa do lago deixo para Arthur e a casa em que morei até a morte deixo para Sophia. O dinheiro que tenho em conta deve ser dividido igualmente pelos cinco, bem como minhas empresas. - O advogado disse e Maurício o interrompeu.
- Desculpa, doutor, mas acho que tem algo de errado.
- Errado? Desculpe-me, mas não encontrei erro algum, senhor Maurício
- Você citou cinco filhos, mas somos só quatro: Eu, Vicente, Arthur e Marjorie. Não conhecemos essa tal Sophia.
- Quanto a isso, o pai de vocês deixou uma carta falando especificamente deste assunto. Parece que ele teve uma filha fora do casamento. - O advogado terminou e entregou um papel na mão de Maurício que começou a ler.
- Lê alto, Maurício. - Vicente pediu e o irmão assentiu.

"Caros Maurício, Vicente, Arthur e Marjorie
Não sei se serão capazes de se lembrar, pelo menos Marjorie sei que não se lembrará pois tudo aconteceu antes mesmo dela nascer. Vocês se lembram de Branca? Aquela empregada que ajudava a cuidar de vocês. Tivemos um caso quando ainda estava com Ana, a mãe dos meninos, e um dia esse caso resultou em uma gravidez.  Eu ainda estava casado e na época não quis que soubessem do bebê. Branca foi embora e nunca me deixou ser presente na vida da menina, nem mesmo quando eu me separei e me arrependi de ter rejeitado-a. Eu nunca conheci Sophia se não por fotos (que deixo aqui também para que vejam a irmã de vocês) e nuca pude dar a ela a boa educação que lhes dei. Mas há alguns meses comecei uma busca por ela. Se estão lendo esta carta é porque eu morri antes mesmo de falar com ela, mas peço que a procurem, como meu último pedido, e entreguem pra ela parte da minha herança e que a tratem como irmã de vocês, porque é isso que Sophia é. Obrigado por isso. Amo vocês!
Renato Lessa"

- É verdadeira? - Arthur perguntou.
- Sim. - O advogado perguntou. E eles tinham uma irmã perdida pra encontrar.