domingo, 24 de setembro de 2017

Ao seu lado - Capítulo 20

Narrador

A segunda-feira chegou rápido demais e Micael já estava de pé e arrumado pra ir trabalhar. Ele saiu de casa cedo naquele dia e caminhou em direção ao escritório que trabalhava na vinícola. Seu pai estava sentado em sua mesa, de cabeça baixa, analisando vários papéis, o que já era normal desde que a empresa falira. Micael colocou suas coisas sobre sua mesa e caminhou até seu pai
- E aí, pai?
- Oi, Micael. Tudo bem?
- Tudo ótimo e você?
- Bem, na medida do possível.
- O que aconteceu? - O rapaz perguntou, sentando-se na cadeira que ficava de frente para seu pai.
- Nossas dividas só crescem.
- A gente vai dar um jeito nisso pai.
- Que jeito? Pegar um empréstimo pra pagar nossa dívida com outra divida?
- Não tava falando de empréstimo. Eu vou conseguir dinheiro com uma pessoa que tem bastante. - Respondeu enquanto uma certa mulher passava por sua cabeça. - De certa forma ela deve um dinheiro pra nossa família e eu vou fazer ela pagar.
- Como assim? Micael, não vai fazer besteira, por favor.
- Eu não vou. Fica tranquilo. - Ele disse e se levantou, indo pra sua mesa. Não muito longe dali Sophia chegou pra trabalhar de bom humor depois do jantar divertido que tinha tido com Mel, Chay e Celeste. Ela estava sentada em sua sala, mexendo em alguns papéis quando deu falta de um. Procurou em todas as pastas e em todas as gavetas de sua sala, mas não achou. Pegou o telefone da sala e ligou para sua secretária que logo estava em sua sala.
- Ei, Gina.
- Ei, Sophia. Precisa de algo?
- Na sexta-feira você me entregou a pasta das transações da empresa?
- Entreguei sim, pela manhã junto com a pasta dos novos contratantes.
- Estranho.
- Aconteceu algo?
- Eu já revirei essa sala e não achei essa pasta. E eu sei que eu vi isso na sexta.
- Você levou algumas coisas pra casa. Será que essa pasta não fui junto não, Sophia?
- Talvez eu tenha levado. Muito obrigada, Gina.
- Não precisa agradecer. - Falou e saiu da sala da chefe. Sophia respirou fundo, pegando outra pasta e esquecendo o assunto transações da empresa. Na hora do almoço Sophia saiu de sua sala e desceu até o andar que Mel trabalhava, como fazia todos os dias. Mas ao contrário do que sempre encontrava, Mel não estava calma.
- Que aconteceu, Mel? - Sophia perguntou.
- Minha mãe tá no hospital, Soph.
- O que ela tem?
- Os médicos não sabem ainda. mas minha irmã chegou em casa e encontrou ela desmaiada.
- Vai pro hospital.
- Tá louca? - Perguntou. - A cidade da minha mãe fica há mais ou menos 3 horas daqui. Eu tenho que trabalhar.
- Eu sou sua chefe, Melanie e eu estou te dando folga de quantos dias for necessário pra ir ver sua mãe.
- Tá falando sério?
- Claro, Mel.
- Chay tá de férias, vou ver se ele fica com a Cel.
- Celeste vai ficar comigo. Chama ele pra ir com você. Você vai precisar de um apoio lá.
- Tem certeza, Sophia?
- Absoluta. - Falou e Mel sorriu, abraçando a amiga.
- Muito obrigada. Não sei o que faria sem você.
As duas amigas saíram do prédio em direção a casa de Mel. Celeste estudava em uma escola que oferecia horário integral para as crianças desde o maternal até sua formação no ensino médio. Ela entrava as 08:00 e saia as 15:00 e fazia atividades diversas na escola como dança, teatro e música. Depois da escola Celeste ficava na casa de uma amiga até Mel sair do emprego. Naquele dia Mel ligou para a mãe da amiga de Celeste avisando que não seria necessário que a menina fosse para sua casa naquele dia. Foram para a casa de Mel, que arrumou uma mala cheia de roupa para a filha e explicou para Sophia o que era necessário fazer em cada dia da semana.
- Não esquece que ela só pode ir brincar depois do dever de casa tá?
- Mel, eu já cuidei da minha afilhada outras vezes ok?
- Eu sei, mas fico preocupada com a minha menina. - Ela disse e Sophia riu.
- Olha, hoje eu vou te pedir só pra transferir seus projetos pra mim e depois você tá liberada ok?
- Ok. Nem sei como te agradecer.
- Cuidando da sua mãe. - Falou e a amiga assentiu, sorrindo. Naquele dia Soph saiu do trabalho mais cedo para buscar Celeste no colégio. Chegou a tempo de ver a menina sair do colégio com uma outra garota de cabelos escuros e olhos puxadinhos. Sophia foi se aproximando a medida que Celeste conversava com uma mulher alta  e de cabelos tão escuros quanto os da menina.
- A minha mãe vem me buscar tia Yumi?
- Não sei, meu amor. Ela só disse que você não ia lá pra casa hoje. - A mulher Respondi e Sophia sorriu. Viu Celeste assentir e virar a cabeça um pouquinho. Quando a menina viu a madrinha sorriu e correu até ela, que a pegou no colo e a encheu de beijos.
- Gostou que a tia Soph veio te buscar hoje?
- Gostei muito, Dinha. Eu vou pra sua casa?
- Vai, meu amor. A mamãe teve que resolver uns problemas e você vai fica na casa da tia até ela voltar.
- Eba! - Ela falou e Sophia riu. Pegou a mochila da menina e saiu com ela ainda em seu colo. - Tchau Yanna, tchau tia Yumi! - Ela falou e Sophia sorriu pras duas que estavam ficando pra trás.

--------

Gente, eu gostaria de pedir desculpas por estar postando apenas uma vez na semana, mas tá bem difícil pra mim. Tô fazendo de tudo pra postar mais vezes mas tá muito difícil. Desculpa.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ao seu lado - Capítulo 19

Sophia Narrando:

Mauro entrou no prédio na minha frente, segurando sua arma. Desarmamento o alarme e eu o olhei, preocupada com o que poderia estar acontecendo.
- Eu vou dar uma olhada nas câmeras. Preciso que olhe se tá tudo certo com seu cofre.
- E se tiver alguém aqui dentro, Mauro?
- Qualquer coisa me grita, dona Sophia. Eu vou escutar. De qualquer forma nós desligamos o alarme, quem quer que seja que esteja aqui dentro já sabe que tem companhia. - Ele falou e eu assenti. Subi até minha sala e entrei nela meio receosa, mas estava vazia aparentemente. Atravessei a sala a passos largos e abri o cofre. Revisei tudo que tinha ali e vi que nada faltava. Fechei o cofre e fui até minha mesa. Alguns papéis estavam espalhados e eu tinha quase certeza de que tinha deixado minha mesa completamente arrumada. Juntei os papéis e guardei em minha gaveta,saindo da sala logo depois. Desci novamente e esperei por Mauro.
- Se alguém teve aqui foi embora antes da gente chegar. - Ele falou e eu assenti.
- Perdemos tempo do nosso fim de semana pra nada, Mauro.
- Pois é. Mas ainda dá tempo Sefaz alguma coisa.
- Dá sim. Obrigada por ter vindo. - Agradeci e saí do prédio, indo em direção a minha casa. Mandei uma mensagem pra Mel, convidando-a pra um jantar e pra conhecer minha nova casa. Ela respondeu dizendo que iria e levaria o novo namorado. Sorri ao ver que minha amiga estava feliz. Celeste precisava de uma figura masculinas mesma forma que minha amiga também precisava de alguém com ela. Cheguei em casa e descobri que minha mãe também tinha decidido passar o fim de semana fora e estava na casa de alguma amiga dela. Avisei a Rute que meus amigos iriam vir jantar e ela disse que capricharia, o que me arrancou uma risada. Fui para meu quarto e me joguei na cama, cochilando. Quando acordei tomei um banho demorado pensando na loucura que havia sido meu fim de semana. Era estranho pensar que o cara que sempre me tratou mal por ser apenas a filinha da empregada tinha passado um fim de semana todo romântico comigo e tudo tão repentinamente. Eu tinha tanto medo de me machucar por causa dele. De repente eu me vi chorando no banho enquanto me lembrava do fim de semana e de toda a minha infância. Era um fato que meu coração era todo dele, desde sempre. Eu o amava, por mais que achasse que depois de me distanciar aquele sentimento tinha sumido. Ele podia não saber, mas aquele fim de semana tinha despertado  em mim um sentimento que eu sei que fere, mas que não deixa de ser gostoso de sentir. Eu sentia que aquilo podia não terminar bem e não queria me arriscar. Minha vida era feita de muitas decepções e eu não queria adicionar mais uma a lista. Chegou uma hora que eu cansei de chorar. Desliguei o chuveiro e saí do banho disposta a esquecer Micael por pelo menos umas horas. Coloquei uma música pra tocar e liguei o secador, secando meus cabelos enquanto cantarolava a música, balançando de leve os quadris. Quando terminei fui até meu closet e peguei um short jeans claro e uma blusa azul turquesa. Calcei um par de havaianas e caminhei até a varanda do meu quarto. Comecei a observar as luzes da cidade que estavam lindas aquela hora. O ambiente calmo combinado com a música fez meus pensamentos voarem de volta para Micael, mas tive sorte que a campainha da minha casa tocou. Sorri animada e desci as escadas, chegando ao primeiro andar bem rápido. Vi Mel, mas não prestei atenção em seu namorado porque minha afilhada estava de costas pra mim e eu a peguei no colo, arrancando um gritinho de susto dela. Eu ri quando ela fez cara de brava e logo depois sua risada se juntou a minha.
- Não me assusta, dinha, vai me matar do "colação". 
- E desde quando a senhorita sabe o que é matar do coração? - Perguntei e ela riu sapeca em meus braços. - A dinha tava com saudade.
- A Cel também. - Ela falou e eu ri, dando um beijo em sua bochecha e a colocando no chão.
- Que lugar é esse, dona Sophia? - Mel perguntou e eu ri, abraçando-a. - Amei isso aqui.
- Eu sei que eu sou linda, gostosa e que você me ama, mas tem que dizer que me ama toda vez que me vê?
- Tava falando da casa, palhaça. - Ela disse e eu ri, soltando-a. - Deixa eu te apresentar. Esse é Chay, meu namorado. Chay, essa é Sophia, a garota mais chata da minha vida, mas a que mais me apoiou sempre.
- É um prazer te conhecer a famosa Sophia.
- É um prazer conhecer o famoso Chay. - Respondi e vi minha amiga ficar vermelha. Ri e ela me olhou brava. - Vamos sentar.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ao seu lado - Capítulo 18

Sophia Narrando:

Mais tarde Mariana foi fazer o almoço e me arrastou junto com ela.
- Parece que vocês dois nunca vão se dar bem né? - Ela me perguntou já na cozinha e eu dei um sorriso amarelo.
- Você sabe que o que eu sentia pelo seu irmão sempre foi muito forte, Mari. Mas acabou. Eu não quero sofrer de novo.
- Eu sei e você sabia, mas Micael nunca soube disso.
- E adiantaria o que ele saber? - Perguntei. - Eu sempre fui apenas a filha da empregada.
- Ele mudou, Soph.
- Você já me disse isso, mas eu ainda não consigo acreditar. Agora, será que podemos mudar de assunto?
- Podemos. - Mariana falou.
- O que o Heitor tem?
- O Heitor?! - Perguntou confusa e eu levantei as sobrancelhas.
- Ele não tava com febre?
- Ah, isso. A garganta dele tá infeccionando.
- Ai que dó. Levou no médico?
- Levamos. Tá até tomando remedinho.
- Entendi. - Respondi e reprimi uma risada. Eu sabia que ela estava mentindo e que tudo tinha sido planejado pra me fazer ficar com Micael. Era a cara da Mariana fazer uma coisa dessas.
- Sophia, seu celular tá tocando. - Micael gritou da sala e eu me levantei, sorrindo pra Mariana e saí da cozinha. Peguei o aparelho que estava jogado na mesa de centro e atendi.
- Alô?
- Senhorita Abrahão? - Uma voz grossa disse do outro lado da linha.
- Eu mesma.
- Sou da empresa que faz a segurança da F&T Construtora. 
- Oi. Em que posso ajudar?
- O alarme do prédio disparou e como ele está vazio é necessário que a senhora vá até o prédio. 
- Eu tô fora da cidade, mas acredito que em uma hora chego lá.
- Obrigado. 
- Eu que agradeço. - Respondi e desliguei, bufando enquanto Gutto saía da sala com Heitor. Joguei-me no sofá e Micael me olhou.
- O que aconteceu?
- O alarme da F&T disparou e a empresa de segurança idiota disse que eu tenho que ir lá.
- Poxa, mas logo agora?  - Perguntou acariciando de leve minha bochecha.
- Infelizmente! - Respondi. - Obrigada pelo fim de semana. Foi curto, mas foi bom.
- Eu adorei também. - Ele disse e me beijou calmamente. Eu o empurrei de leve e me olhou meio bravo, me fazendo rir.
- Seu cunhado deve estar vindo. Ele não pode pegar a gente.
- É verdade. - Ele disse e me deu um selinho.
- Vou arrumar minhas coisas. - Falei e me levantei. Fui para o quarto e arrumei minhas malas. Troquei de roupa correndo e desci as escadas novamente. Micael não estava mais sozinho e sim com Mariana, Heitor e Gutto.
- Eu não acredito que você tá indo embora, sua ridícula.
- O trabalho me chama. - Respondi e ela riu. Despedi-me deles e entrei em meu carro. Dirigi até a empresa e quando cheguei lá encontrei Mauro, segurança do prédio, na porta. - Oi, Mauro.
- Ei, Sophia. Tava te esperando pra gente poder entrar e ver o que tá acontecendo.
- Vamos lá então. - Respondi. Mas antes de entrar meu celular vibrou e a mensagem que li fez um sorriso gigante surgir em meus lábios.

"Ainda sobre Augusto, A Moreninha e Joaquim Manoel de Macedo te digo: 'Ela é travessa como o beija-flor, inocente como uma boneca, faceira como o pavão, e curiosa como… uma mulher.' 

Obrigado por ter me deixado conhecer um pouquinho da mulher travessa, inocente, faceira e curiosa que você é. Nos vemos depois! Beijos! - Micael"

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Ao seu lado - Capítulo 17

Sophia Narrando:

Acordei 7:32 no dia seguinte e eu sentia que um trator tinha passado em cima de mim por eu ter dormido as três. Fechei os olhos e tentei dormir de novo, mas estava difícil. Desisti de dormir quando o relógio marcou 8:00, levantando-me para pegar meu notebook. Liguei meu computador e entrei no email. Vi que haviam vários emails da empresa e comecei a lê-los e responder alguns. Minha secretária já tinha me enviado a agenda semanal  e eu revirei os olhos por ver que eu não teria tempo nem pra respirar. Eu gostava de ser a presidente da empresa, mas sentia falta de der apenas mais uma engenheira que sentava na sua mesa todos os dias e fazia projetos. Ouvi uma porta bater lá fora e soube que Micael já estava acordado. Deixei o computador em cima da cama e caminhei até a janela. O sol brilhava lá fora e eu sorri. Tomei um banho e coloquei um short jeans e uma regata vermelha. Calcei um par de chinelos e saí só quarto, descendo as escadas. Micael estava sentado em uma mesa em sua varanda, comendo uma torrada. Ele sorriu ao me ver e eu sorri de volta.
- Bom dia. - Falou e eu me sentei em uma cadeira ao seu lado.
- Bom dia. Dormiu bem?
- Dormi sim e você?
- Dormi. - Respondi e um silêncio chato se instaurou entre nós dois. - Nem acredito que amanhã eu já tenho que trabalhar. - Falei pra quebrar o silêncio e ele riu.
- Vida difícil essa de presidente hein?!
- Pior que é mesmo tá? Eu tava olhando uns emails agora de manhã e pensando como era bom quando eu era uma simples engenheira que fazia apenas projetos que me pediam.
- Quero ver um prpjeto seu um dia.
- Quem sabe eu te mostre.
- Não vai comer não?
- Vou. - Falei e peguei um pedaço de bolo de laranja. Mordi um pedaço e quando comecei a mastigar olhei Micael e ele estava me encarando comer. - Que foi?
- Nada. Tô só te olhando.
- Vou ficar com vergonha assim. - Falei de boca cheia e Micael gargalhou da mimha cara.
- Até as princesas tem seus momentos de ogra né?
- Quem disse que eu sou uma princesa?
- Eu disse. - Respondeu e eu dei um sorriso. O telefone dele tocou e ele pediu licença ora atender. Ele se levantou e atendeu o telefone um pouco longe de mim. Continuei comendo meu bolo e eu estava terminando quando ele voltou pra mesa, ficando em pé na minha frente.  - Mariana está vindo pra cá com Heitor e Gutto.
- Teremos uma atuação pra fazer então. - Disse e ele assentiu. Terminei de comer e limpei a boca com a mão. Levantei-me e me surpreendi quando ele passou o braço pela minha cintura, me puxou pra perto e me beijou. Aproveitei o beijo enquanto pude e senti um vazio quando seus lábios distanciaram-se dos meus.
- Então foi um sábado e um começo de domingo muito chatos que eu fiquei mexendo com as coisas da fazenda e você presa dentro de casa assistindo filme porque eu sou um insensível e te deixei sozinha.
- Sim, você é muito mal, senhor Micael. Acho que mereço mais um beijo pra você se desculpar pelo fim de semana horrível que me fez passar.
- Vou pensar no seu caso. - Ele disse e sorriu, antes de me beijar de novo. - Precisos arrumar coisas pra fazer.
- Vamos arrumar a cozinha juntos pra ser mais rápido depois eu vou mexer em algumas coisas da empresa aqui na sala e você vai arranjar outra coisa pra fazer.
- Vou dar comida pro Zeus. - Assenti e comecei a ajuda-lo a arrumar as coisas do café. Terminamos rápido e ele me deu um selinho antes de sair de casa. Subi as escadas correndo, peguei o computador e desci novamente, sentando-me na sala. Foi o tempo de ligar a televisão e ouvir um carro estacionar lá fora. Vi que Mel tinha me enviado um projeto e o abri para analisar. Mel era uma engenheira sensacional e eu não tinha nada pra reclamar do projeto que ela havia me enviado. Mariana entrou pela porta da frente sorrindo e eu levantei os olhos pra vê-la chegar.
- Pra sua alegria eu cheguei.
- Ainda bem né? Me deu um bolo ontem. - Falei sorrindo. - Ei, Gutto.
- Ei.
- Cadê Micael?
- Seu irmão deve estar metido em algum canto dessa fazenda. - Falei e revirei os olhos. Vi decepção passar pelo rosto dela. A porta abriu e ele entrou pela porta. Mariana se virou rápido e com raiva.
- Ei, mana.
- Onde é que você estava Micael?
- No estábulo.
- E deixou a Soph aqui sozinha?
- Posso fazer nada se ela acha que a única coisa que importa é o trabalho dela. - Micael falou seco, me encarando. Revirei os olhos e arqueei a sobrancelha.
- Ata. Porque fui bem eu que passei o sábado inteiro ou dentro do estábulo ou dentro da vinícola. - Respondi ainda mais áspera e ele deu um sorrisinho quase imperceptível. Éramos ótimos atores mesmo. Meu celular tocou e eu o puxei do bolso, atendendo Mel.
- Oi Melanie. - Falei séria e ouvi minha amiga rir.
- Ei, amiga. Tô ligando pra saber se sua noite rendeu novidades porque a minha rendeu.
- Eu olhei seu projeto sim e já autorizei o envio para o cliente.
- Ah, você não tá podendo falar né? Mas se quer saber eu tô namorando e quero muito saber se você pegou o bonitão de novo.
- Tô falando que sim. Seu projeto tá autorizado. - Falei sabendo que minha amiga pegaria no ar.
- Não acredito, como foi?
- Se eu autorizei o projeto é porque está bom.
- Nossa, não acredito. Mas ficou só nos beijos?
- Sim. Eu espero muito em breve ver esse projeto tomando forma, senhorita Melanie.
- Que lindo. Garanto que já apaixonou, nunca vi mulher tão fraca pra homem igual você.
- Você é assim. - Respondi encarando as pessoas presentes na sala. Mariana parecia distraída demais conversando com Micael e Gutto estava brincando com Heitor.  - Deixando a chefe de lado porque eu estava falando sério, seu projeto tá ótimo. Como tá minha Cel?
- Ela tá ótima. Vou desligar que ela tá aqui querendo leite.
- Tudo bem. Depois quero saber essa história direito. Ah, e toma cuidado com o cliente porque apesar desse projeto maravilhoso que você fez ele é chato.
- Vou te mandar mensagem mais tarde explicando.
- Tá bom.
- Beijo, amiga.
- Beijo, Melanie.

sábado, 2 de setembro de 2017

Ao seu lado - Capítulo 16

Micael Narrando:

- Eu ainda to tentando entender em como Mariana pensou nisso tudo. - Sophia disse entrando em casa e eu ri.
- A gente nunca consegue imaginar o que se passa na cabeça dela. - Sophia soltou uma gargalhada e se sentou no sofá. Caminhei até ela e me sentei ao seu lado.
- No fim valeu a pena.
- Valeu. - Respondi e juntei nossos lábios novamente. Quando afastei olhei dentro de seus olhos azuis  e senti meu estômago embrulhar porque eu senti que aquilo era mais que uma ficada casual pra ela. - Soph, antes de continuarmos a ter qualquer coisa que seja isso aqui eu preciso que saiba que depois da Ellen eu nunca tive ninguém. Eu a amei demais e perde-la foi muito difícil pra mim. Na verdade ainda é, mesmo depois de 3 anos. Você foi a primeira que despertou desejo em mim, a primeira que eu beijei depois dela. Eu acho você uma mulher maravilhosa, Sophia, e é por isso que eu não quero que crie expectativas porque eu não sei se serei capaz de supri-las e eu não quero te machucar. Eu não sei até onde eu serei capaz de ir e o problema não é você. Eu só te peço pra não confiar em algo que eu não posso te oferecer.
- Micael! - Ela falou doce, me fazendo calar. - Nós somos apenas duas pessoas que saíram juntos pra se divertir e acabaram ficando. Eu entendo que é meio dificil gostar de mim e não te peço que faça isso.
- Não fala uma coisa dessas. Você vai encontrar alguém que te ame demais, meu problema é que meu coração... - Comecei a falar e não consegui terminar. Sophia deu um sorriso amarelo e se ajeitou melhor no sofá.
- Já tem dona, eu sei. Mas o senhor não acha que nosso caso ainda é muito recente pra estarmos conversando essas coisas não? - Perguntou sorrindo e eu ri.
- Tem razão. Vamos curtir isso aqui e ver no que vai dar. - Falei e ela assentiu, dando-me um selinho. No segundo selinho eu segurei sua nuca e aprofundei mais nosso beijo. O beijo foi ficando quente e eu já estava deitando-a sobre o sofá quando ela se distanciou e sorriu pra mim.
- Tá tarde já. Preciso ir dormir. - Ela falou e eu sorri, assentindo.
- Tudo bem. Boa noite. - Disse e lhe dei um selinho.
- Boa noite. - Ela disse e se levantou, sumindo no corredor que levava até o quarto que ela estava. Deitei-me no sofá e comecei a pensar em tudo que havia acontecido naquela noite. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Até ontem eu desprezava aquela garota e não conseguia pensar em outra mulher senão minha Ellen. E hoje eu a achava o máximo e estava ficando com ela. Respirei fundo e peguei meu celular, disposto a mandar uma mensagem para Arthur pedindo conselhos, mas me lembrei que ele era irmão dela e desisti. Desisti de pensar naquilo e fui dormir. Para chegar em meu quarto eu precisava passar pelo dela. A luz ainda estava ligada e uma pequena fresta estava aberta, me dando a visão da garota no telefone. Ela estava debruçada sobre o parapeito da janela, falando no telefone. Seus cabelos presos em um coque meio frouxo e vestida apenas com uma blusa de alcinhas e um short apertado. Suspirei e continuei meu caminho até meu quarto. Tomei um banho e deitei-me, dando de cara com uma foto minha abraçada a minha ruiva que estava no porta-retrato em cima do meu criado. Ellen estava tão sorridente naquela foto. Eu tinha a pedido em namoro naquele dia e já a amava. Fechei meus olhos e deixei com que o cansaço me vencesse, adormecendo.

Sophia Narrando:

Confesso que fiquei chateada com aquela história. Tudo bem, era a primeira vez que estávamos ficando e eu não podia pedir pra que ele se casasse comigo. Mas, caramba, eu era apaixonada por ele e ouvir ele dizer que não teria nada comigo doía. Fui para o meu quarto e entrei direto no banho. Quando sai vesti um pijama e enquanto prendia meus cabelos escutei meu celular vibrar. Peguei o telefone e atendi a chamada de Mel.
- Ei, Mel.
- Ei, Soph. Tô louca pra saber o que aconteceu direito.
- Eu e Micael ficamos. - Disse me aproximando da janela e a abrindo com cuidado.
- Mentira!
- Verdade. Mas foi dessa vez só. Ele deixou claro que nunca teria algo sério comigo e eu não quero criar falsas esperanças então não vou nem me arriscar.
- Ah, Sophia, por favor né? Você bem pode fazer esse cara se apaixonar por você.
- Você não entende.
- Entendo sim. - Ela disse e a ouvir bufar, brava. - Sussega, Chay. - Ela falou e eu sorri.
- Tô atrapalhando né?
- Que atrapalhando. Foi eu quem ligou.
- Vai lá ficar com o seu boy porque alguém nessa amizade tem que se dar bem.
- As duas vão se dar bem, dona Sophia. Vou desligar. Dorme bem. Segunda conversamos direito.
- Eu até ia desejar que dormisse bem, mas já vi que vai ser difícil. Beijo, Mel, obrigada por tudo.
- Beijo, meu amor. - Ela disse e desligou. Suspirei e deitei-me, fechando os olhos e tentando dormir, mas parecia missão impossível.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 15

Sophia Narrando:

O barzinho que Micael me levou era bastante aconchegante, mesmo lotado da forma que estava. Chegamos e ele logo arrumou uma mesa para nos sentarmos.
- E aí, Sophia? Gostou do lugar?
- Gostei. É muito bonito aqui. - Respondi e ele sorriu.
- Quer beber o que?
- Uma cerveja por enquanto.
- Tudo bem. Com licença. - Ele disse e se levantou, saindo dali e voltando minutos depois com duas cervejas em mãos. Peguei uma e tomei um gole e quando levantei os olhos encontrei os dele me encarando. Dei um sorriso tímido e fraco e ele riu.
- Olha quem tá aqui. - Ouvi uma voz que eu odiava dizer e desviei minha atenção do cara gato a minha frente para encarar o loiro que havia acabado de chegar.
- Ei, Alfredo. - Respondi seca e ele sorriu.
- Sabia que eu tava meio chateado de este aqui, tava achando chatão ter que vir, mas agora que te vi valeu a pena. - Ele falou e eu revirei meus olhos.
- Podia ter ficado em casa então.
- Mas aí eu não iria ver você.
- Ia ser melhor pra mim. - Respondi baixo.
- Quer tomar uma cerveja comigo? - Ele perguntou e eu arregalei os olhos, mas antes de responder Micael pigarreou, chamando atenção de Alfredo.
- Ela tá acompanhada, cara. - Micael disse e Alfredo fechou a cara.
- Quem é esse?
- Esqueci de te apresentar, Alfredo. Esse aqui é o Micael, meu namorado. - Falei e Micael sorriu, estendendo a mão para Alfredo.
- É um prazer. - Micael disse e Alfredo o encarou bravo.
- Namorado? Como eu nunca soube disso?
- Pois é. É recente e a gente não gosta muito de expor nosso relacionamento. Até porque quem mais precisa participar dele a não ser eu e você, né amor? - Micael me perguntou e eu dei um sorriso de garota apaixonada, surpreendendo-me quando a mão dele se juntou a minha em cima da mesa. Alfredo não se deu ao trabalho de responder nada, apenas se virou e saiu andando.
- Muito obrigada por me livrar dele. - Falei e ele sorriu.
- Não precisa agradecer. O que você acha de jogar sinuca?
- Pode ser. Mas eu já vou avisando que eu só jogo pra ganhar.
- Veremos então, namorada. - Ele disse e eu sorri. Nós nos levantamos e caminhamos até a mesa de sinuca. Micael me entregou um taco e pegou outro e começamos a jogar. Eu comecei, porém a primeira bola encaçapada foi dele. - Acho que deveriamos apostar.
- Pode ser. - Eu falei. - Eu vou querer uma rodada de cerveja.
- Só isso? - Perguntou e eu assenti. - Tudo bem, se eu ganhar eu te conto o que eu quero. - No fim do jogo ele acabou ganhando e veio em minha direção. - Acho que eu ganhei.
- Ganhou. Qual seu prêmio?
- Ainda estou pensando. - Falou sussurrando bem perto de mim e eu sorri. - Acho que seu amigo ali está esperando um beijo do mais novo casal de namorados. - Ele disse e eu olhei Alfredo que estava sentado no bar nos encarando. Micael chegou mais perto e me encostei na mesa de sinuca eu abri um sorriso ainda maior e logo os lábios dele estavam sobre os meus.
A mão dele foi até a minha cintura e a minha subiu por suas costas, acariciando-o de leve. Eu não acreditava que aquele beijo estava realmente acontecendo porque eu havia ansiado por aquilo toda a minha infância e adolescência. Quando o ar nos faltou ele afastou sua boca, mas nossos corpos continuaram juntos.
- Esse é meu prêmio.
- O que?
- Seu beijo pro resto da noite. - Ele disse e eu sorri, beijando-o de novo. - Vou te pagar mais uma cerveja. - Falou e pegou minha mão. Dei uma última olhada em Alfredo e pude perceber que ele estava morrendo de raiva. Nós nos sentamos e tomamos mais algumas cervejas em meio a risadas, conversas e beijos.
- Preciso ir ao banheiro. - Falei e ele assentiu.
- Te espero aqui.
Levantei-me e caminhei até o banheiro. Mandei uma mensagem pra Mel, dizendo que tinha coisas para contar pra ela e retoquei meu batom. Fui ao banheiro e na volta vi que um cara estava me seguindo. Apertei o passo e já perto da mesa o cara segurou meu pulso e me puxou.
- Vai com calma, delícia.
- Vai com calma você e solta a mulher dos outros. - Micael falou grosso e o rapaz o encarou.
- Se não o que? Vai me bater?
- Paga pra ver. - Ele falou mais alto e o rapaz me soltou.
- Qualquer coisa me procura. - Falou pra mim e saiu andando.
- Tenho que te agradecer de novo. Você me salvou duas vezes na mesma noite.
- Sei formas de você me agradecer. - Ele disse e me abraçou. - Vamos embora?
- Vamos. - Saímos do bar e entramos no carro dele. No meio do caminho ele soltou uma risada e eu o olhei confusa. - Que foi?
- Essa febre do Heitor foi muito propícia. - Ele disse e eu o encarei. O entendimento passou pela minha mente e eu arregalei os olhos.
- Você não acha que a Mariana teria coragem.
- Tenho certeza, Sophia. Mariana queria que a gente ficasse sozinhos, foi armado.
- A gente não vai contar pra ela que ficamos.
- Não vamos não.

domingo, 27 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 14 (Bônus)

Sophia Narrando:

Eu estava tentando entender como aquele beijo quase tinha acontecido. Era sonho da minha adolescência quase se tornando realidade. Fiquei meio aérea até chegar na casa de Micael e encontrar Mariana de malas prontas.
- O que você tá fazendo, Mariana de Farias Borges?
- Indo pra casa.
- Você não pode me deixar aqui sozinha com ele. - Falei desesperada e ela pegou o celular, digitando alguma coisa.
- Não tem como, Soph. Guto me ligou falando que Heitor tá com febre. Não vou ficar bem se não for ver meu filhote, qualquer coisa eu volto hoje ainda.
- Tudo bem. - Respondi e Micael chegou na sala. Seus olhos viraram-se confusos para a irmã depois de ver suas malas.
- Que tá acontecendo?
- Desculpa, Mika, mas vou ter que ir pra casa porque Heitor tá com febre. - Mariana disse desesperada e ele arregalou os olhos. Mari pegou suas malas e saiu da casa de Micael. Corri pro lado de fora, vendo que ela realmente não voltaria. 
- Não acredito nisso. - Falei. 
- É tão ruim assim passar o fim de semana comigo? - Ouvi a voz dele no meu ouvido e me assustei.
- Claro que não, Micael. 
- Ela não vai voltar. Vem almoçar. - Terminou e entrou em casa. Ainda vi minha amiga entrar em seu carro e dar a partida. Respirei fundo, pensando no que aconteceria nesse fim de semana em que seríamos apenas nós dois agora e entrei em casa. Micael estava sentado na cozinha, comendo e eu fiz o mesmo. Comemos em silêncio e quando ele terminou, lavou seu prato e foi para fora da cozinha. Terminei de comer e também lavei minha louça e segui para sala, esperando encontrar Micael ali, mas não o achei. Sentei-me na sala e liguei a televisão. Não demorou muito e ele apareceu somente de bermuda, secando os cabelos com uma toalha. Mordi meu lábio quando meus olhos chegaram até seu tórax nu e com algumas gotículas de água do seu banho recente escorrendo. Imaginei mil coisas ali e me assustei com o barulho de seus dedos estalando. 
- Sophia, tá me escutando? 
- Claro que tô. - Respondi e ele arqueou as sobrancelhas. 
- Então o que você acha? 
- Acho que sim. - Respondi sem nem ao menos saber do que ele tava falando. 
- Então a gente saí as oito.  Te garanto que você vai gostar. - Ele disse e sorriu. 
- Tudo bem. Passamos o dia conversando e apenas naquilo. Ao longo de nossas conversas descobri que ele iria me levar para um barzinho ali perto naquela noite e fiquei animada. Seis e meia o deixei na sala e fui até o quarto que eu estava. Tomei um banho, sequei meus cabelos e vesti um vestido frente única preto, com um decote em V não muito grande. A saia era soltinha e ia até cinco dedos acima do meu joelho e meus sapatos eram pretos de salto. Passei uma maquiagem clara, com um batom nude e peguei uma bolsa pequena azul. Terminei de me arrumar e desci as escadas encontrando Micael de calça jeans e uma camisa de botões xadrez. 
- Sophia, você tá linda. - Ele falou e eu sorri.
- Muito obrigada. Vamos? 
- Vamos sim. Tô até me achando mulambado perto de você.
- Ah, para, Mika. Você tá lindo também. - Eu disse e foi a vez dele de sorrir. Saímos dali em direção ao barzinho e nossa noite estava apenas começando. 

Ao seu lado - Capítulo 13

Micael Narrando:

Eu e Sophia saímos de casa em silêncio e caminhamos até o estábulo. Peguei Zeus e coloquei a sela nele e arrumei D. Carolina depois.
- Você pode ir na D. Carolina. - Falei e Sophia sorriu, soltando uma risada baixa.
- D. Carolina? Por que? - Ela perguntou e foi a minha vez de sorrir.
- "O amor faz o velho criança, o sábio doido, o rei humilde cativo; faz mesmo, às vezes, com que o feio pareça bonito e o grão de areia um gigante." - Recitei enquanto a auxiliava a subir no animal e ela sorriu.
- Olha, A Moreninha, parece que temos um fã de Joaquim Manoel de Macedo aqui?
- Temos um fã de Literatura e principalmente de Joaquim. - Respondi subindo em Zeus. - Conhece a história de Augusto e D. Carolina?
- Conheço. Também sou uma amante dos livros. - Ela respondeu sorrindo. Começamos a cavalgar pela fazenda e o silêncio estava me incomodando. Cavalgamos por minutos até que ela viu nossa plantação de uvas e sorriu. - Podemos parar ali?
- Claro.
Cavalgamos até lá e descemos dos cavalos. Sophia caminhou até uma parreira e ficou na ponta dos pés para conseguir pegar uma uva, o que me arrancou uma risada e um olhar bravo dela.
- Tá rindo de que?
- De nada. Quer ajuda?
- Pode ser. - Ela respondeu. Peguei uma sacola e várias uvas pra ela. Nos sentamos embaixo da parreira e começamos a chupar as uvas. - E por que você gosta tanto de A Moreninha? - Perguntou do nada e eu sorri.
- Ah, não sei, acho que eu sempre achei espetacular a história. Augusto nunca acreditou no amor de fato, mas era apaixonado por ela desde criança. E ele só percebeu isso quando a reencontra sem nem mesmo saber que era ela, ou seja, ele se apaixona por ela duas vezes. Além disso, ele era namorador e é meio humilhado por isso e D. Carolina não se importa muito com isso porque ela acredita nele.
- É uma história muito bonita mesmo. - Respondeu e abaixou a cabeça, sorrindo. - Então quer dizer que você acredita em amor?
- Te confesso que não acreditava. Você me conhece e sabe como eu era. Mas um dia eu amadureci e descobri que ele existia e que fazia bem as vezes.
- Ellen te mostrou isso?
- Mostrou. E aí eu percebi que não era a primeira vez que eu amava.
- Você amou mais alguém?
- Talvez sim. E você? Já amou?
- Já. Já amei e não fui correspondida até o dia que decidi não amar mais.
- O pior tipo de amor. - Falei e ela assentiu.
- O pior deles.
- Você é tão bonito, Soph, por que não arruma um namorado?
- Acho que nunca encontrei alguém que preenchesse meu coração. - Respondeu.
- Coração difícil de entrar hein?
- Que nada, é só saber me conquistar. - Sophia disse e logo depois nós rimos.
- Não sei como não percebi antes o quão legal você era.
- Achei que tivéssemos combinado de mão falar do passado.
- Uma hora teremos que falar.
- Acho que essa hora não chegou ainda.
- Tudo bem, mas quero que saiba que eu sempre te achei linda, mesmo sendo um babaca com você.
- Obrigada. - Ela disse corada e eu ri, colocando sua franja atrás da orelha.
- E tá ainda mais linda com esses cabelos curtos. Aliás você mudou muito nesses anos e eu só me arrependo de tudo, de não ter percebido antes quão gente boa você era. - Falei baixo, mas ela escutou porque estávamos muito perto um do outro. Não fazia ideia de como tínhamos chegado até ali, mas eu podia sentir o hálito dela no meu rosto. Aproximei mais nossos rostos e quando estava prestes a tocar os lábios dela meu celular tocou, tirando-a do transe e fazendo com que ela se afastasse. Peguei o telefone com raiva e atendi minha irmã.
- Fala Mariana.
- Cadê vocês dois? Tá pronto aqui.
- Estamos indo.
- Anda logo que eu to faminta. - Ela disse e desligou, olhei Sophia e ela parecia envergonhada.
- Vamos almoçar. - Falei e ela assentiu. Levantei-me e estendi a mão pra ela, que segurou e eu a puxei. Quando ela já estava de pé, procurei os cavalos e encontrei apenas Zeus ali. - Deveríamos ter prendido os dois. Parece que D. Carolina fugiu.
- Não tem problema, eu vou andando.
- Vamos comigo, cabem duas pessoas em um cavalo.
- Não precisa, Micael.
- Para de teimosia, Sophia, eu não mordo não. - Falei e ela suspirou. Montei no cavalo e dei a mão pra ela que subiu e receosa passou as mãos pela minha cintura. Cavalguei até minha casa e a deixei lá. - Vou colocar Zeus no estábulo.
Ela assentiu e eu cavalguei até o estábulo. Quando estava voltando comecei a pensar no que poderia ter acontecido se Mariana não tivesse ligado. Entrei em casa e encontrei Mariana com suas malas na sala.
- Que tá acontecendo?
- Desculpa, Mika, mas vou ter que ir pra casa porque Heitor tá com febre. - Mariana disse desesperada e arregalei os olhos. O fim de semana que era pra ser de Mari, Sophia e eu tinha acabado de se transformar em um fim de semana apenas meu e dela.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 12

Micael Narrando:

Acordei cedo no sábado e estava me sentindo ansioso. Queria muito acreditar que não era por conta da visita de uma amiga de infância da minha irmã que era milionária agora. Saí da minha casa e deixei o café pronto para quando minha irmã acordasse e Sophia chegasse. Caminhei até o estábulo e logo vi Zeus deitado e caminhei até meu cavalo.
- E aí garoto? - Perguntei e acariciei a cabeça dele. Zeus se levantou e relinchou pra mim e eu ri. - Tô feliz de te ver também. Você tá precisando de um banho, hein?! Vamos lá. - Falei e o levei para o lado de fora. Dei um bom banho nele e quando estava terminando ouvi o barulho de um carro estacionando atrás de mim. Virei-me e logo vi Sophia sair de lá, vindo em minha direção e tive que reconhecer que ela estava linda.
- Oi, Soph. - Eu falei e ela sorriu.
- Ei, Mika.
- Não vou te abraçar porque to meio sujo desse rapaz aqui. - Falei e acariciei o cavalo de leve. Sophia levou sua mão até Zeus, acariciando-o.
- É um cavalo muito bonito. É seu?
- É sim. Podemos cavalgar mais tarde, sei que você sabe.
- Podemos sim. Sinto saudades da época que eu morava aqui na fazenda.
- A gente não sentiu saudades não. - Ouvimos Mariana dizer e Sophia se virou, encontrando minha irmã com um sorriso gigante nos lábios. - Ei, branquela.
- Ei, Mari. - Elas se abraçaram e eu não pude deixar de perceber que o short de Sophia subiu um pouquinho, por ela ser mais baixa que Mariana e ter se esticado para abraçá-la. Mariana me olhou meio brava e eu abri um pequeno sorriso de canto pra ela. - Cadê seu bebê?
- Vai passar o fim de semana com o pai dele lá em casa. Vamos tomar café, vem. - Ela falou e Sophia a seguiu. Elas sairam e eu me virei para o meu cavalo novamente.
- É, rapaz, vai ser um longo fim de semana. - Falei e terminei de escovar Zeus. Coloquei-o no estábulo e fui caminhando até minha casa. Cheguei lá e ainda na porta ouvi a risada das duas mulheres que estavam ali.
- Vou te contar que aquele Eduardo era um saco. - Ouvi Sophia dizer e Mari gargalhou.
- Pelo menos ele ficou bonitinho. O Rian tá feio pra caramba hoje em dia.
- Mas na época você bem que gostava. - Sophia disse entre as risadas e eu entrei na cozinha, vendo as duas sentadas à mesa.
- Qual foi, Soph? Eu tinha 11 anos. - Ela respondeu e só então pareceu me ver. - Senta aqui com a gente, mano.
- Licença, meninas. - Pedi e me sentei - Falavam sobre o que?
- Primeiro beijo. Aliás, quando foi o seu, Mika? - Minha irmã perguntou.
- 13 anos com a Sheila, lembra dele? - Perguntei e elas negaram. - Aquela que era um ano na minha frente.
- Ah, lembrei. Nossa, nunca imaginaria que você já tinha ficado com ela quanto mais que tinha dado seu primeiro beijo com ela.
- Sabe como é né, Mari?! - Perguntei rindo e elas me acompanharam. - Agora é a vez de vocês.
- Tô com vergonha de falar isso pro Micael.
- Para com isso, Mariana. - Sophia disse e eu ri.
- Tá bom então. Foi com o Rian.
- O Rian? - Perguntei assustado e ela assentiu. - Ele era meu amigo e três anos mais velho que você. Que idade você tinha?
- 11. - Mariana respondeu e eu estava em choque. Meu amigo de 14 anos tinha tirado o BV da minha irmã de 11.
- Não tô acreditando, Mariana.
- Deixa a Sophia contar o dela.
- Foi com o Eduardo, que era da nossa sala no ensino médio. Eu tinha 15 e ele 16. - Ela falou brincando com seu garfo.
- Nossa, Soph. Com 15? - Perguntei.
- Digamos que a Sophia esperava o príncipe encantado. Como ele não chegou ela se contentou com o sapo mesmo.
- E quem era o príncipe? - Perguntei e Sophia ficou vermelha, abaixando seu olhar para as mãos.
- Melhor a gente mudar de assunto. A menina tá ficando constrangida.
- Tudo bem. Vamos falar sobre o almoço porque já são onze horas.
- Pode fazer, maninho.
- Claro que não. Eu quem fiz o café, o almoço é seu Mariana. E eu vou cavalgar com a Soph. Topa? - Perguntei e ela assentiu sorrindo.

domingo, 20 de agosto de 2017

Ao seu lado - Capítulo 11

Sophia Narrando:

- Tô achando um pouco de loucura essa viagem. - Falei pra minha mãe enquanto dobrava minha última peça de roupa e gurdava na mochila.
- Loucura por que, filha?
- Não sei. To com um pressentimento aqui dentro de que algo vai acontecer.
- Eu hein?! Vira essa boca pra lá, menina. - Ela disse e eu ri.
- A senhora vai mesmo ficar bem nesse casarão?
- Vou sim. A Rute vai me fazer companhia.
- Tudo bem então. Vou tar um banho.
- Vai lá. - Ela falou e saiu do quarto. Entrei no banheiro, tomei um banho e quando estava secando meu cabelo meu telefone tocou. Peguei o celular e sorri ao ver o nome de Mariana na tela.
- Oi, Mari.
- Oi, Soph. Cadê você? Estamos te esperando pro café da manhã.
- Ih, Mari, acho que vocês podem ir tomando café. Ainda não saí de casa.
- Você é muito enrolada, cara. - Ela disse brava e eu ri.
- Enquanto eu to aqui conversando com você eu poderia muito bem estar me arrumando.
- Anda logo então. - Ela falou e desligou sem se despedir. Ri do jeitinho da minha amiga e continuei arrumando meu cabelo. Quando terminei vesti um short jeans, uma blusa de malha branca com algumas flores e calcei um par de all-star azul. Peguei minhas bolsas e desci as escadas, indo até minha mãe que conversava com Rute. Despedi-me delas, entrei em meu quarto e dirigi até a fazenda. Logo quando cheguei pude ver Micael cuidando de um cavalo negro. Parei o carro, o que chamou a atenção dele. Ele se virou e sorriu ao ver que era eu. Saí do carro e caminhei até ele.
- Oi, Soph. - Ele falou e eu sorri.
- Ei, Mika.
- Não vou te abraçar porque to meio sujo desse rapaz aqui. - Ele falou e acariciou o cavalo de leve. Levei minha mão até o animal, acariciando-o.
- É um cavalo muito bonito. É seu?
- É sim. Podemos cavalgar mais tarde, sei que você sabe.
- Podemos sim. Sinto saudades da época que eu morava aqui na fazenda.
- A gente não sentiu saudades não. - Ouvi Mariana dizer e me virei, encontrando minha amiga com um sorriso gigante nos lábios. - Ei, branquela.
- Ei, Mari. - A abracei e ela olhou o irmão meio brava e eu fiquei sem entender. - Cadê seu bebê?
- Vai passar o fim de semana com o pai dele lá em casa. Vamos tomar café, vem. - Ela falou e eu a segui. Olhei pra trás e vi que ele ainda estava com o cavalo e me voltei para minha amiga.
- Que cara feia foi aquela pro seu irmão?
- Cara feia? - Perguntei e eu revirei meus olhos.
- Sabe que eu odeio quando você se faz de sonsa.
- Ai, Sophia. - Ela reclamou falando arrastado e eu a encarei. - Tá, tá, eu falo. Digamos que meu irmão gostou do seu short. - Ela disse e o entendimento de que ele tava olhando minha bunda tomou conta de mim.
- Até parece, Mariana. Foi impressão sua.
- Sempre é impressão minha e eu sempre tô certa né?
- Chega desse assunto, ok?
- Ok então, dona Sophia. - Ela disse e nos sentamos para comer. Logo Micael se juntou a nós duas e começamos a rir das coisas de nossa infância. Por mais que em muitas histórias minhas ele fizesse parte como vilão eu adorava reviver aqueles momentos e saber que ele estava em todos eles.